Em direção oposta ao decidido pela Câmara dos Deputados, 85% da população manifesta apoio à proteção das florestas, mesmo que isso signifique alguma limitação à produção agropecuária. Eventual veto sobre dispositivo que anistia desmatamentos ilegais é apoiado por 83% dos entrevistados. De cada 10 eleitores entrevistados, 8 não votariam em um deputado ou senador favorável à isenção de punições e multas a quem desmatou até julho de 2008.
Pesquisa do Instituto Datafolha, realizada entre os dias 3 e 7 de junho, revela que 85% dos brasileiros acima de 16 anos defendem que a reforma do Código Florestal deveria priorizar a preservação das florestas e rios mesmo que, em alguns casos, isso prejudique a produção agropecuária. A sondagem também mostra que a população está disposta a apoiar a presidente Dilma, caso ela vete artigos que concedem anistia a desmatadores, e a negar seus votos a deputados e senadores favoráveis a essas anistias.
A pesquisa foi encomendada pelas organizações Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Imaflora, Imazon, Instituto Socioambiental , SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil e ouviu 1.286 pessoas por telefone em todas as regiões do país, tanto em área urbana como rural. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Os resultados mostram que a opinião dos eleitores não foi levada em consideração pela Câmara dos Deputados, que aprovou a proposta no último dia 24 de maio (leia mais). Dos entrevistados, 62% se disseram bem ou mais ou menos bem informados acerca do assunto, o que mostra que, mesmo sendo um assunto complexo, tem atraído a atenção de boa parte da população.
Um dos pontos mais polêmicos do projeto aprovado pela Câmara, a emenda 164, que prevê a manutenção de todas as atividades agropecuárias existentes em áreas de preservação permanente, as APPs (beiras de rio, encostas, topos de morro), foi rejeitada por 77% dos entrevistados. Para esse público, os proprietários devem obrigatoriamente recuperar essas áreas.
O perdão às multas aplicadas a quem ocupa ilegalmente APPs, uma das consequências do texto aprovado na Câmara, conta com rejeição de 79%. Sintomático ver que os – poucos - favoráveis ao perdão estão concentrados nos segmentos mais ricos, com renda mensal familiar superior a 20 salários mínimos (94% estão nessa faixa).
As respostas mostram que a população em geral, tanto em área urbana como rural, é muito menos tolerante com o desmatamento ilegal do que os deputados.Para 45% da população, os agropecuaristas só deveriam ter suas multas perdoadas se concordassem em repor a vegetação desmatada. Outros 48% disseram que eles deveriam ser punidos mesmo repondo a vegetação, como exemplo para as gerações futuras. E apenas 5% disseram que os proprietários não deveriam ser punidos nem obrigados a repor o que foi desmatado.
Na questão do que fazer com áreas como morros, encostas e várzeas, que deveriam ser preservadas mas foram ocupadas por plantações e pastagens, 66% dos brasileiros responderam que deveriam ser mantidas somente atividades agropecuárias que segurem o solo e não representem riscos de acidentes. A proposta aprovada prevê, em seus artigos 10 e 12, a manutenção de pastagens nessas áreas, um dos principais fatores que levam à erosão e a desmoronamentos, junto com a ocupação residencial.
Um resultado surpreendente aponta que 84% dos brasileiros não votariam em um deputado ou senador favorável à isenção de punições e multas aos autores de desmatamento até julho de 2008. “Há um claro descolamento entre a opinião da sociedade e de seus supostos representantes na Câmara dos Deputados. Como pode 85% dos deputados apoiarem um projeto que é rejeitado por 85% da população? Isso mostra que muitos deputados acreditaram que os interesses de grupos de interesse específicos eram idênticos ao da população em geral, mas estão enganados. Espero que muitos revejam seu posicionamento, sobretudo se a matéria voltar à Câmara”, opina Raul Silva Telles do Valle, coordenador adjunto do Programa de Política e Direito do ISA.
Veto sustentável
O Datafolha ainda quis saber dos entrevistados o que acham da posição da presidente Dilma Rousseff de vetar as mudanças que preveem anistia e perdão para quem desmatou ilegalmente. Apoiaram o veto 79% dos brasileiros, com destaque para os jovens (entre 16 e 29 anos), dentre os quais o apoio sobe para 84%.
Para o coordenador do Instituto Socioambiental, Márcio Santilli, “se a presidente Dilma ainda tinha alguma dúvida, agora sabe que não estará sozinha caso tenha que vir a exercer o seu poder de veto. Seria o veto mais sustentável da nossa história: para proteger as florestas, conta com o apoio de quatro em cada cinco brasileiros.” Leia também os artigos de Santilli, que analisam os resultados da pesquisa do Datafolha:
Prof. Paulo Jorge dos Santos.Jorn., Grafólogo,Prof. e Ambientalista, Pós Graduado em Adm.Legisl.P.UNISUL, Membro do Col. Est. e Nac.de meio Ambiente do PT, F. Mineiro de Agenda 21, Membro da Coord.Est.de Comb.ao Racismo do PTMG, Coord. Reg. Met.de Comb.ao Racismo da RMBH do PTMG. Membro dos Comitês de Bacias dos Rios Pará e São Francisco. Palestrante Em Faculdades e Órgãos Públicos Com Ações e Consultorias Em Dir. Humanos Étnicos e Ambientais.
terça-feira, junho 14, 2011
sábado, junho 11, 2011
SEGUNDO A MINISTRA DA SEPPIR OS NEGROS PRECISAM SER PRIORIDADE NO PROGRAMA BRASIL SEM MISERIA
Para titular da pasta, Luiza Bairros, País pode celebrar, no dia 13 de maio utimo, o fato de cada vez mais pessoas assumirem a cor de sua pele
Os negros e os pardos constituem a maioria – 70,8% – da população de 16,2 milhões de miseráveis que o programa Brasil Sem Miséria pretende beneficiar. Para a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, tal fato deveria levar os mentores do programa, a ser lançado nos próximos dias, a explicitar desde o primeiro instante que seu alvo principal é justamente essa população. A decisão contribuiria para focar as ações, orientar os agentes sociais e atrair negros pobres que “acreditam muito pouco na capacidade do poder público de olhar para sua situação”.
Em entrevista ao Estado, a ministra também defendeu a permanência de cotas raciais nas universidades e a sua extensão a concursos público. Para Luiza, que é socióloga, o Brasil precisa superar tendência de achar natural a pobreza entre negros. “Existe um pressuposto, alimentado pelo racismo, de que os negros são pessoas sem capacidade”, disse.
Nesta sexta-feira, 13, dia do 123.º aniversário da Lei Áurea, que oficialmente pôs fim à escravidão, há situações a lamentar e a comemorar, segundo a ministra. Na primeira categoria está o fato de maioria das pessoas miseráveis, com renda mensal inferior a R$ 70, como definiu o governo, ser constituída por negros. Para comemorar, a constatação de que cada vez mais os negros brasileiros assumem a cor de sua pele, como demonstrou censo demográfico do ano passado.
A senhora tem sido ouvida nas conversas e preparativos do programa Brasil Sem Miséria que deve ser lançado nos próximos dias?
Participamos de reuniões com o Ministério do Desenvolvimento Social para conhecer a versão preliminar e a nossa preocupação foi sempre no sentido de insistir de que se deve ir além do diagnóstico de que os negros constituem a maioria dos miseráveis. Para nós, o fato de quase 71% da população de 16,2 milhões de miseráveis identificados pelo governo serem negros, tem que ser traduzido nas ações do programa. Sugerimos que seja explicitado que as categorias que serão prioritariamente beneficiadas são formadas majoritariamente por pessoas negras. Estamos falando de população de rua, grupos que trabalham com reciclagem de material, mulheres negras que chefiam famílias, comunidades negras rurais, jovens negros do meio urbano, principalmente dos bairros mais empobrecidos, mulheres que trabalham na pesca como marisqueiras, mulheres quebradeiras de coco e por aí vai. É importante deixar isso explícito considerando que existe uma certa tendência no Brasil de se naturalizar a presença de negros na condição de pobreza. Isso não é algo que cause estranheza às pessoas, porque existe um pressuposto, alimentado pelo racismo, de que os negros são pessoas sem capacidade e sem força de vontade, além de uma série de outras imagens negativas.
A senhora poderia dar um exemplo de como essa explicitação seria útil?
Podemos citar o caso das ações específicas que o programa terá para a agricultura familiar – um setor no qual existe uma tendência a se esquecer o negro. O agricultor familiar não é associado normalmente ao trabalhador negro. Por isso é preciso deixar claro à pessoa que trabalha no programa que ela está procurando comunidades negras rurais, quilombos, e que é isso que vai encontrar. Se a gente nomear, o programa também fica mais evidente para quem se deseja atingir. O nosso pressuposto para esse recomendação tem a ver com o que aconteceu após a adoção de cotas para negros nas universidades.
Qual a relação entre as duas coisas?
À medida que ficou evidente a intenção de se democratizar o acesso à universidade pela via da inserção de estudantes negros, ocorreu uma reação muito positiva no meio da juventude negra, que passou a se inscrever no vestibular – coisa que não fazia antes, porque a universidade não era para ela. Cresceram enormemente os cursos vestibulares para negros. Por isso acredito que o programa de combate à miséria deve deixar explícita sua vontade de incluir aqueles segmentos que até agora esquecidos e que acreditam muito pouco na capacidade do poder público de olhar para sua situação.
A senhora percebe essa descrença?
Sim. Ela é particularmente visível no caso das comunidades rurais, que não têm a dimensão do que pode ser o seu direito, do ponto de vista de acesso a serviços.
Os negros e os pardos constituem a maioria – 70,8% – da população de 16,2 milhões de miseráveis que o programa Brasil Sem Miséria pretende beneficiar. Para a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, tal fato deveria levar os mentores do programa, a ser lançado nos próximos dias, a explicitar desde o primeiro instante que seu alvo principal é justamente essa população. A decisão contribuiria para focar as ações, orientar os agentes sociais e atrair negros pobres que “acreditam muito pouco na capacidade do poder público de olhar para sua situação”.
Em entrevista ao Estado, a ministra também defendeu a permanência de cotas raciais nas universidades e a sua extensão a concursos público. Para Luiza, que é socióloga, o Brasil precisa superar tendência de achar natural a pobreza entre negros. “Existe um pressuposto, alimentado pelo racismo, de que os negros são pessoas sem capacidade”, disse.
Nesta sexta-feira, 13, dia do 123.º aniversário da Lei Áurea, que oficialmente pôs fim à escravidão, há situações a lamentar e a comemorar, segundo a ministra. Na primeira categoria está o fato de maioria das pessoas miseráveis, com renda mensal inferior a R$ 70, como definiu o governo, ser constituída por negros. Para comemorar, a constatação de que cada vez mais os negros brasileiros assumem a cor de sua pele, como demonstrou censo demográfico do ano passado.
A senhora tem sido ouvida nas conversas e preparativos do programa Brasil Sem Miséria que deve ser lançado nos próximos dias?
Participamos de reuniões com o Ministério do Desenvolvimento Social para conhecer a versão preliminar e a nossa preocupação foi sempre no sentido de insistir de que se deve ir além do diagnóstico de que os negros constituem a maioria dos miseráveis. Para nós, o fato de quase 71% da população de 16,2 milhões de miseráveis identificados pelo governo serem negros, tem que ser traduzido nas ações do programa. Sugerimos que seja explicitado que as categorias que serão prioritariamente beneficiadas são formadas majoritariamente por pessoas negras. Estamos falando de população de rua, grupos que trabalham com reciclagem de material, mulheres negras que chefiam famílias, comunidades negras rurais, jovens negros do meio urbano, principalmente dos bairros mais empobrecidos, mulheres que trabalham na pesca como marisqueiras, mulheres quebradeiras de coco e por aí vai. É importante deixar isso explícito considerando que existe uma certa tendência no Brasil de se naturalizar a presença de negros na condição de pobreza. Isso não é algo que cause estranheza às pessoas, porque existe um pressuposto, alimentado pelo racismo, de que os negros são pessoas sem capacidade e sem força de vontade, além de uma série de outras imagens negativas.
A senhora poderia dar um exemplo de como essa explicitação seria útil?
Podemos citar o caso das ações específicas que o programa terá para a agricultura familiar – um setor no qual existe uma tendência a se esquecer o negro. O agricultor familiar não é associado normalmente ao trabalhador negro. Por isso é preciso deixar claro à pessoa que trabalha no programa que ela está procurando comunidades negras rurais, quilombos, e que é isso que vai encontrar. Se a gente nomear, o programa também fica mais evidente para quem se deseja atingir. O nosso pressuposto para esse recomendação tem a ver com o que aconteceu após a adoção de cotas para negros nas universidades.
Qual a relação entre as duas coisas?
À medida que ficou evidente a intenção de se democratizar o acesso à universidade pela via da inserção de estudantes negros, ocorreu uma reação muito positiva no meio da juventude negra, que passou a se inscrever no vestibular – coisa que não fazia antes, porque a universidade não era para ela. Cresceram enormemente os cursos vestibulares para negros. Por isso acredito que o programa de combate à miséria deve deixar explícita sua vontade de incluir aqueles segmentos que até agora esquecidos e que acreditam muito pouco na capacidade do poder público de olhar para sua situação.
A senhora percebe essa descrença?
Sim. Ela é particularmente visível no caso das comunidades rurais, que não têm a dimensão do que pode ser o seu direito, do ponto de vista de acesso a serviços.
O MEIO AMBIENTE E SUA ÉTICA
A ética do meio ambiente começa pelo reconhecimento do valor da natureza para a preservação da espécie humana: da importância da fauna, da flora, da variedade das espécies animais, da vida selvagem, do ar puro e da água limpa para a vida dos seres humanos. Trata-se do reconhecimento de uma qualidade que a natureza objetivamente possui: a de possibilitar e garantir a nossa sobrevivência física e o nosso desenvolvimento social.
É fato: sem a ajuda uns dos outros, todos morreríamos. Mas essa ajuda tem de ser estruturada. E é. A ajuda é estruturada através das instituições. A forma das instituições depende dos valores que nascem no interior das culturas. E a cultura expressa-se através de uma mentalidade ou cosmovisão.
A ameaça de escassez de recursos naturais, tais como o ar puro e a água limpa, a poluição da atmosfera até transformá-la em uma estufa a esquentar insuportavelmente a Terra inteira, a destruição da camada de ozônio que nos protege dos raios solares cancerígenos, a extinção de algumas espécies animais e a ameaça de extinção de muitas outras, a destruição da vida selvagem, são realidades, dentre outras, que despertaram a "consciência ecológica", ou seja, da natureza como a casa dos seres humanos. Destruir a casa da espécie humana, a natureza, pois, é uma tremenda injustiça. Uma injustiça para com a nossa geração e, maior ainda, para com as gerações futuras, dos nossos descendentes. Parcelas cada vez mais expressivas da população, então, tomam consciência dessa injustiça. E da consciência daquilo que é injusto nasce o Direito, como reivindicação de justiça e garantia contra a injustiça. É justo e necessário, portanto, reconhecer o valor do meio ambiente natural. Por essa razão, a autoridade social, através do Estado, tem editado normas jurídicas de proteção ao meio ambiente. A lei tipifica condutas que agridem o meio ambiente e as torna criminosas. Os estudiosos do Direito sistematizam um ramo novo da ciência jurídica, batizando-o de Direito Ambiental. A ética do meio ambiente também já é uma exigência da economia. Os estudiosos da ciência econômica e parcelas dos próprios agentes econômicos já pensam em um estilo de desenvolvimento que respeite o meio ambiente, condicionando os investimentos a esse novo paradigma. E no plano político, o valor do meio ambiente, no mundo democrático, é especialmente defendido pelos chamados partidos verdes.
Destarte, o Dicionário Oxford de Filosofia, de Simon Blackburn, traz o seguinte verbete a respeito da ética do meio ambiente: "Em geral, a ética lida com problemas suscitados pelos desejos e necessidades humanos: a obtenção de felicidade ou a distribuição de bens. Quando se pensa especificamente acerca do meio ambiente, o problema central consiste na atribuição de valor independente a coisas como a preservação das espécies ou a proteção da vida selvagem. Essa proteção pode ser defendida como um meio para garantir as necessidades humanas básicas, encarando os animais, por exemplo, como uma fonte futura de medicamentos, ou de outros benefícios. No entanto, muitos filósofos desejariam reivindicar um valor absoluto e não utilitarista para a existência de locais e seres selvagens; seu valor é precisamente sua independência em relação à vida humana: "eles nos reduzem à nossa importância relativa". Não conseguir apreciar isso não é apenas uma incapacidade estética, mas também uma falta de humildade e de respeito: é uma incapacidade moral. O problema consiste em conseguir exprimir esse valor e usá-lo contra os argumentos utilitaristas que defendem a urbanização de áreas naturais e a exterminação das espécies de forma um tanto arbitrária."
Que tal, então, participar de uma das tantas organizações não governamentais de defesa do meio natural, sabendo que se está lutando para garantir a sobrevivência da própria espécie humana
É fato: sem a ajuda uns dos outros, todos morreríamos. Mas essa ajuda tem de ser estruturada. E é. A ajuda é estruturada através das instituições. A forma das instituições depende dos valores que nascem no interior das culturas. E a cultura expressa-se através de uma mentalidade ou cosmovisão.
A ameaça de escassez de recursos naturais, tais como o ar puro e a água limpa, a poluição da atmosfera até transformá-la em uma estufa a esquentar insuportavelmente a Terra inteira, a destruição da camada de ozônio que nos protege dos raios solares cancerígenos, a extinção de algumas espécies animais e a ameaça de extinção de muitas outras, a destruição da vida selvagem, são realidades, dentre outras, que despertaram a "consciência ecológica", ou seja, da natureza como a casa dos seres humanos. Destruir a casa da espécie humana, a natureza, pois, é uma tremenda injustiça. Uma injustiça para com a nossa geração e, maior ainda, para com as gerações futuras, dos nossos descendentes. Parcelas cada vez mais expressivas da população, então, tomam consciência dessa injustiça. E da consciência daquilo que é injusto nasce o Direito, como reivindicação de justiça e garantia contra a injustiça. É justo e necessário, portanto, reconhecer o valor do meio ambiente natural. Por essa razão, a autoridade social, através do Estado, tem editado normas jurídicas de proteção ao meio ambiente. A lei tipifica condutas que agridem o meio ambiente e as torna criminosas. Os estudiosos do Direito sistematizam um ramo novo da ciência jurídica, batizando-o de Direito Ambiental. A ética do meio ambiente também já é uma exigência da economia. Os estudiosos da ciência econômica e parcelas dos próprios agentes econômicos já pensam em um estilo de desenvolvimento que respeite o meio ambiente, condicionando os investimentos a esse novo paradigma. E no plano político, o valor do meio ambiente, no mundo democrático, é especialmente defendido pelos chamados partidos verdes.
Destarte, o Dicionário Oxford de Filosofia, de Simon Blackburn, traz o seguinte verbete a respeito da ética do meio ambiente: "Em geral, a ética lida com problemas suscitados pelos desejos e necessidades humanos: a obtenção de felicidade ou a distribuição de bens. Quando se pensa especificamente acerca do meio ambiente, o problema central consiste na atribuição de valor independente a coisas como a preservação das espécies ou a proteção da vida selvagem. Essa proteção pode ser defendida como um meio para garantir as necessidades humanas básicas, encarando os animais, por exemplo, como uma fonte futura de medicamentos, ou de outros benefícios. No entanto, muitos filósofos desejariam reivindicar um valor absoluto e não utilitarista para a existência de locais e seres selvagens; seu valor é precisamente sua independência em relação à vida humana: "eles nos reduzem à nossa importância relativa". Não conseguir apreciar isso não é apenas uma incapacidade estética, mas também uma falta de humildade e de respeito: é uma incapacidade moral. O problema consiste em conseguir exprimir esse valor e usá-lo contra os argumentos utilitaristas que defendem a urbanização de áreas naturais e a exterminação das espécies de forma um tanto arbitrária."
Que tal, então, participar de uma das tantas organizações não governamentais de defesa do meio natural, sabendo que se está lutando para garantir a sobrevivência da própria espécie humana
terça-feira, junho 07, 2011
Na noite de 15 de junho, observadores de várias partes do mundo terão a oportunidade de observar um eclipse total da Lua
Crepúsculo com eclipse
por Paulo S. Bretones
Wikimedia Commons
. O eclipse será visível em toda a América do Sul, África, Europa, Oceania, Antártida e Ásia exceto a parte norte.
Denomina-se eclipse ao obscurecimento parcial ou total de um corpo celeste em virtude da interposição de um outro. A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa abandono, desmaio, desaparecimento. É uma das raras chances de observar-se um espetáculo tão belo da natureza. Embora os eclipses solares ocorram em maior número, vemos com mais freqüência os lunares, pelo fato de os últimos serem observados em áreas consideravelmente superiores à metade da Terra.
Os eclipses lunares ocorrem quando a Lua penetra no cone de sombra da Terra, o que só pode acontecer na fase de Lua cheia pelo seguinte: A Terra gira ao redor do Sol num plano. Por exemplo, supondo que o Sol esteja no centro da face superior de uma mesa, a Terra se move em torno do Sol no nível desta superfície. Ao mesmo tempo a Lua gira em torno da Terra, mas o plano de órbita lunar é inclinado um pouco mais de 5º em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo da sombra. Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra, ou seja, passa por um nodo, e além disso o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar. A sombra da Terra projetada no espaço se estende em forma cônica por cerca de 1,38 milhão de quilômetros. À distância de aproximadamente 360 mil quilômetros, onde está a Lua, o diâmetro da sombra tem cerca de 9 mil quilômetros. Além de uma parte escura, chamada umbra ou apenas sombra, a sombra da Terra tem uma parte cinzenta denominada penumbra. Mas é a sombra que dá o efeito de beleza ao fenômeno, pois a penumbra na maioria das vezes é imperceptível.
Na tarde de 15 de junho, quando a Lua estiver ainda abaixo do horizonte, e, portanto ainda não terá nascido no horizonte leste, às 15h22min, a Lua cheia começará a "mergulhar" na sombra da Terra. Às 16h22min a Lua estará toda coberta pela sombra de nosso planeta.
No Brasil, para observadores em São Paulo, para considerarmos uma média, a Lua irá nascer eclipsada às 17h25min e o pôr do Sol ocorrerá às 17h27min. Devido ao horário deste evento, a Lua eclipsada não terá tanto contraste com o fundo do céu por conta da claridade do crepúsculo. Em outras palavras, não veremos a Lua cheia nascer bem brilhante como de costume, porque ela estará dentro da sombra da Terra.
Mesmo assim será um fenômeno raro e um desafio tentarmos observar a Lua nascendo totalmente eclipsada e o Sol se pondo do outro lado do horizonte.
Mais tarde, às 18h02min quando a Lua começará a sair da sombra estará a cerca de 7 graus de altura sobre o horizonte até que às 19h02min sairá por completo e estará novamente toda iluminada pelo Sol, quando estará a cerca de 19 graus do horizonte.
Os eclipses lunares já foram mais importantes para a pesquisa astronômica. Eles forneceram a primeira prova de que a Terra é redonda, foram utilizados no estudo da alta atmosfera do nosso planeta, no estudo da rotação da Terra, no tamanho e distância do nosso satélite além de variações em seu movimento. Além disso, os eclipses podem contribuir com a História na determinação de datas que se deram em tempos remotos.
Neste ano temos ao todo 4 eclipses sendo 2 eclipses da Lua e 4 eclipses do Sol. Destes, apenas o eclipse lunar de 15 de junho será visível no Brasil.
As observações do eclipse total da Lua podem ser realizadas com binóculos, lunetas e telescópios de fraco aumento.
Para fotografar o eclipse com câmera digital, pode-se fixá-la num tripé, em modo de foco infinito, paisagem ou cenário (landscape). Como se pode verificar o resultado da imagem obtida, é fácil experimentar o tempo de exposição durante o eclipse. Na fase de totalidade, pode-se usar sensibilidade de ISO 100 ou 200 e exposições entre 1s a 5s. Também pode-se aumentar o ISO e diminuir o tempo de exposição.
Para exposições depois da totalidade, geralmente a câmera consegue se adaptar as condições de luz automaticamente, bastando apertar o botão de disparo para efetuar a foto nesta fase. Para as câmeras com opções manuais, pode-se usar exposições rápidas de 1/350 a 1/125 com ISO 100 para aberturas pequenas como 1:5,6 ou 1:8.
Em suma, pode-se utilizar mais de uma abertura e velocidade de disparo para garantir fotos de boa qualidade. Com a câmara fixa, apoiada em tripé, deve-se disparar manualmente em intervalos de três, cinco minutos ou mais.
É importante conhecer a trajetória aparente da Lua e fazer um ensaio na véspera para procurar o melhor local. Usando-se teleobjetivas, como o campo é limitado, é possível obter imagens maiores da Lua.
De qualquer forma, vale a pena reunir a turma, procurar um local alto e com o horizonte livre. Pode-se observar o pôr do Sol e tentar ver a Lua nascendo eclipsada, em contraste com a claridade do crepúsculo e ainda na sombra do nosso planeta. Com o passar do tempo, a Lua estará cada vez mais alta, irá saindo da sombra e voltará a estar cheia e totalmente iluminada pelo Sol.
por Paulo S. Bretones
Wikimedia Commons
. O eclipse será visível em toda a América do Sul, África, Europa, Oceania, Antártida e Ásia exceto a parte norte.
Denomina-se eclipse ao obscurecimento parcial ou total de um corpo celeste em virtude da interposição de um outro. A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa abandono, desmaio, desaparecimento. É uma das raras chances de observar-se um espetáculo tão belo da natureza. Embora os eclipses solares ocorram em maior número, vemos com mais freqüência os lunares, pelo fato de os últimos serem observados em áreas consideravelmente superiores à metade da Terra.
Os eclipses lunares ocorrem quando a Lua penetra no cone de sombra da Terra, o que só pode acontecer na fase de Lua cheia pelo seguinte: A Terra gira ao redor do Sol num plano. Por exemplo, supondo que o Sol esteja no centro da face superior de uma mesa, a Terra se move em torno do Sol no nível desta superfície. Ao mesmo tempo a Lua gira em torno da Terra, mas o plano de órbita lunar é inclinado um pouco mais de 5º em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo da sombra. Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra, ou seja, passa por um nodo, e além disso o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar. A sombra da Terra projetada no espaço se estende em forma cônica por cerca de 1,38 milhão de quilômetros. À distância de aproximadamente 360 mil quilômetros, onde está a Lua, o diâmetro da sombra tem cerca de 9 mil quilômetros. Além de uma parte escura, chamada umbra ou apenas sombra, a sombra da Terra tem uma parte cinzenta denominada penumbra. Mas é a sombra que dá o efeito de beleza ao fenômeno, pois a penumbra na maioria das vezes é imperceptível.
Na tarde de 15 de junho, quando a Lua estiver ainda abaixo do horizonte, e, portanto ainda não terá nascido no horizonte leste, às 15h22min, a Lua cheia começará a "mergulhar" na sombra da Terra. Às 16h22min a Lua estará toda coberta pela sombra de nosso planeta.
No Brasil, para observadores em São Paulo, para considerarmos uma média, a Lua irá nascer eclipsada às 17h25min e o pôr do Sol ocorrerá às 17h27min. Devido ao horário deste evento, a Lua eclipsada não terá tanto contraste com o fundo do céu por conta da claridade do crepúsculo. Em outras palavras, não veremos a Lua cheia nascer bem brilhante como de costume, porque ela estará dentro da sombra da Terra.
Mesmo assim será um fenômeno raro e um desafio tentarmos observar a Lua nascendo totalmente eclipsada e o Sol se pondo do outro lado do horizonte.
Mais tarde, às 18h02min quando a Lua começará a sair da sombra estará a cerca de 7 graus de altura sobre o horizonte até que às 19h02min sairá por completo e estará novamente toda iluminada pelo Sol, quando estará a cerca de 19 graus do horizonte.
Os eclipses lunares já foram mais importantes para a pesquisa astronômica. Eles forneceram a primeira prova de que a Terra é redonda, foram utilizados no estudo da alta atmosfera do nosso planeta, no estudo da rotação da Terra, no tamanho e distância do nosso satélite além de variações em seu movimento. Além disso, os eclipses podem contribuir com a História na determinação de datas que se deram em tempos remotos.
Neste ano temos ao todo 4 eclipses sendo 2 eclipses da Lua e 4 eclipses do Sol. Destes, apenas o eclipse lunar de 15 de junho será visível no Brasil.
As observações do eclipse total da Lua podem ser realizadas com binóculos, lunetas e telescópios de fraco aumento.
Para fotografar o eclipse com câmera digital, pode-se fixá-la num tripé, em modo de foco infinito, paisagem ou cenário (landscape). Como se pode verificar o resultado da imagem obtida, é fácil experimentar o tempo de exposição durante o eclipse. Na fase de totalidade, pode-se usar sensibilidade de ISO 100 ou 200 e exposições entre 1s a 5s. Também pode-se aumentar o ISO e diminuir o tempo de exposição.
Para exposições depois da totalidade, geralmente a câmera consegue se adaptar as condições de luz automaticamente, bastando apertar o botão de disparo para efetuar a foto nesta fase. Para as câmeras com opções manuais, pode-se usar exposições rápidas de 1/350 a 1/125 com ISO 100 para aberturas pequenas como 1:5,6 ou 1:8.
Em suma, pode-se utilizar mais de uma abertura e velocidade de disparo para garantir fotos de boa qualidade. Com a câmara fixa, apoiada em tripé, deve-se disparar manualmente em intervalos de três, cinco minutos ou mais.
É importante conhecer a trajetória aparente da Lua e fazer um ensaio na véspera para procurar o melhor local. Usando-se teleobjetivas, como o campo é limitado, é possível obter imagens maiores da Lua.
De qualquer forma, vale a pena reunir a turma, procurar um local alto e com o horizonte livre. Pode-se observar o pôr do Sol e tentar ver a Lua nascendo eclipsada, em contraste com a claridade do crepúsculo e ainda na sombra do nosso planeta. Com o passar do tempo, a Lua estará cada vez mais alta, irá saindo da sombra e voltará a estar cheia e totalmente iluminada pelo Sol.
Trabalhadoras domésticas brasileiras participam da 100ª Conferência Internacional do Trabalho em Genebra
Segundo a OIT, o trabalho doméstico é responsável por 4 a 10% da economia dos países em desenvolvimento. No Brasil, a profissão reúne 7,2 milhões de profissionais
Mara Karina Silva - ONU Mulheres Brasil e Cone Sul
Brasília, 1º de junho de 2011 - Seis representantes dos sindicatos de trabalhadoras domésticas do Brasil vão participar da 100ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que começa hoje (1/6), em Genebra. O encontro vai definir a adoção de um instrumento internacional para a garantia de direitos para os (as) trabalhadores (as) domésticos (as) e se encerra no dia 17 de junho.
As presidentas da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Maria de Oliveira e do Sindicato das Empregadas Domésticas do Estado de Sergipe, Sueli Maria dos Santos, lideram a delegação brasileira. Também participam as representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Comércio e Serviço, ligada à Central Única dos Trabalhadores, Ione Santana de Oliveira, do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Rio de Janeiro, Maria Noeli dos Santos, e do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas, Regina Teodoro. O grupo recebeu o apoio do governo brasileiro para participar da conferência.
Segundo Creuza Maria de Oliveira, responsável pela articulação nacional das trabalhadoras domésticas brasileiras, é grande a expectativa das trabalhadoras para que a adoção de uma convenção com recomendações sobre as práticas da profissão. “Em Genebra, vamos nos encontrar com companheiras de outros países e realizar reuniões para visibilizar a questão do trabalho doméstico dentro da conferência, para que a gente chegue ao resultado que esperamos”, declara Creuza de Oliveira.
Este é um processo que foi intensificado nos últimos três anos, sendo marcado pelo protagonismo das trabalhadoras domésticas brasileiras na América Latina. Conforme estudos da OIT, o trabalho doméstico é responsável por 4 a 10% da economia dos países em desenvolvimento. No ano passado, por deliberação da 99ª Conferência Internacional do Trabalho, a OIT elaborou um documento consolidando a posição das delegações tripartites, formada por empregadores, governo e trabalhadoras domésticas. O documento abordou o trabalho doméstico na perspectiva do trabalho decente e foi novamente submetido à manifestação dos países acerca da regulamentação do trabalho doméstico. Essas consultas subsidiaram a construção de uma proposta de convenção e recomendação, que começa a ser discutida a partir de hoje (1/6), em Genebra, na 100ª Conferência Internacional do Trabalho.
Ione Santana, integrante da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Comércio e Serviço, acredita que a elaboração de uma convenção sobre trabalho doméstico vai evidenciar a importância da profissão para a sociedade. “Esse momento também vai trazer uma mudança em termos de reconhecimento profissional. Seremos vistas como as demais profissionais sem diferenças”, prevê Ione Santana.
Segundo Regina Teodoro, membro do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas, ainda existe a preocupação de que os países membros não aprovem a convenção com recomendação para o trabalho doméstico. “Nós vamos para o debate. Nós somos trabalhadoras domésticas, existem muitas limitações, mas estamos empenhadas em levar para a conferência as demandas da nossa categoria”, diz Regina Teodoro.
Apoio à promoção do trabalho doméstico decente
Desde 2009, a ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, por meio do Programa Regional Gênero, Raça, Etnia e Pobreza, apoia técnica e financeiramente as ações para a incidência das trabalhadoras domésticas nas discussões na Conferência Internacional do Trabalho. Neste ano, foi selada uma parceria com a Articulação Feminista do Mercosul que deu continuidade a estratégia para o fortalecimento das organizações de trabalhadoras e a participação dessas mulheres na 100ª Conferência. Foram realizados três seminários nacionais no Brasil, Paraguai e Uruguai e um encontro regional, a fim de articular as trabalhadoras domésticas latinoamericanas para levar as demandas da região para a Conferência.
Para a coordenadora de Direitos Econômicos da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, a participação das trabalhadoras neste processo possibilita que elas possam fazer parte de forma ativa nas discussões para a promoção do trabalho doméstico decente a nível global. “É muito importante a participação das trabalhadoras na conferência. São elas que estão diariamente na profissão e conhecem bem os desafios de ser trabalhadora doméstica”, lembra Ana Carolina Querino.
Trabalho doméstico no Brasil
De acordo com dados da PNAD 2009 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o trabalho doméstico no Brasil reúne 7,2 milhões de profissionais. Houve um crescimento de 9% na comparação com 2008. As pesquisas indicam que 93% são mulheres e 61,6% mulheres negras. No mesmo período, o salário médio de uma trabalhadora doméstica brasileira era de R$ 386,45.
Mara Karina Silva - ONU Mulheres Brasil e Cone Sul
Brasília, 1º de junho de 2011 - Seis representantes dos sindicatos de trabalhadoras domésticas do Brasil vão participar da 100ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que começa hoje (1/6), em Genebra. O encontro vai definir a adoção de um instrumento internacional para a garantia de direitos para os (as) trabalhadores (as) domésticos (as) e se encerra no dia 17 de junho.
As presidentas da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Maria de Oliveira e do Sindicato das Empregadas Domésticas do Estado de Sergipe, Sueli Maria dos Santos, lideram a delegação brasileira. Também participam as representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Comércio e Serviço, ligada à Central Única dos Trabalhadores, Ione Santana de Oliveira, do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Rio de Janeiro, Maria Noeli dos Santos, e do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas, Regina Teodoro. O grupo recebeu o apoio do governo brasileiro para participar da conferência.
Segundo Creuza Maria de Oliveira, responsável pela articulação nacional das trabalhadoras domésticas brasileiras, é grande a expectativa das trabalhadoras para que a adoção de uma convenção com recomendações sobre as práticas da profissão. “Em Genebra, vamos nos encontrar com companheiras de outros países e realizar reuniões para visibilizar a questão do trabalho doméstico dentro da conferência, para que a gente chegue ao resultado que esperamos”, declara Creuza de Oliveira.
Este é um processo que foi intensificado nos últimos três anos, sendo marcado pelo protagonismo das trabalhadoras domésticas brasileiras na América Latina. Conforme estudos da OIT, o trabalho doméstico é responsável por 4 a 10% da economia dos países em desenvolvimento. No ano passado, por deliberação da 99ª Conferência Internacional do Trabalho, a OIT elaborou um documento consolidando a posição das delegações tripartites, formada por empregadores, governo e trabalhadoras domésticas. O documento abordou o trabalho doméstico na perspectiva do trabalho decente e foi novamente submetido à manifestação dos países acerca da regulamentação do trabalho doméstico. Essas consultas subsidiaram a construção de uma proposta de convenção e recomendação, que começa a ser discutida a partir de hoje (1/6), em Genebra, na 100ª Conferência Internacional do Trabalho.
Ione Santana, integrante da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Comércio e Serviço, acredita que a elaboração de uma convenção sobre trabalho doméstico vai evidenciar a importância da profissão para a sociedade. “Esse momento também vai trazer uma mudança em termos de reconhecimento profissional. Seremos vistas como as demais profissionais sem diferenças”, prevê Ione Santana.
Segundo Regina Teodoro, membro do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas, ainda existe a preocupação de que os países membros não aprovem a convenção com recomendação para o trabalho doméstico. “Nós vamos para o debate. Nós somos trabalhadoras domésticas, existem muitas limitações, mas estamos empenhadas em levar para a conferência as demandas da nossa categoria”, diz Regina Teodoro.
Apoio à promoção do trabalho doméstico decente
Desde 2009, a ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, por meio do Programa Regional Gênero, Raça, Etnia e Pobreza, apoia técnica e financeiramente as ações para a incidência das trabalhadoras domésticas nas discussões na Conferência Internacional do Trabalho. Neste ano, foi selada uma parceria com a Articulação Feminista do Mercosul que deu continuidade a estratégia para o fortalecimento das organizações de trabalhadoras e a participação dessas mulheres na 100ª Conferência. Foram realizados três seminários nacionais no Brasil, Paraguai e Uruguai e um encontro regional, a fim de articular as trabalhadoras domésticas latinoamericanas para levar as demandas da região para a Conferência.
Para a coordenadora de Direitos Econômicos da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, a participação das trabalhadoras neste processo possibilita que elas possam fazer parte de forma ativa nas discussões para a promoção do trabalho doméstico decente a nível global. “É muito importante a participação das trabalhadoras na conferência. São elas que estão diariamente na profissão e conhecem bem os desafios de ser trabalhadora doméstica”, lembra Ana Carolina Querino.
Trabalho doméstico no Brasil
De acordo com dados da PNAD 2009 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o trabalho doméstico no Brasil reúne 7,2 milhões de profissionais. Houve um crescimento de 9% na comparação com 2008. As pesquisas indicam que 93% são mulheres e 61,6% mulheres negras. No mesmo período, o salário médio de uma trabalhadora doméstica brasileira era de R$ 386,45.
quarta-feira, maio 25, 2011
Pesquisa encomendada pela Cetelem revela o crescimento da classe C nos últimos anos, a expectativa do comércio e o otimismo dos brasileiros para os anos vindouros.
A exemplo das placas tectônicas em constante movimento ao longo da esfera terrestre, as massas humanas também se agitam continuamente no interior da sociedade. No Brasil, “mais do que nunca o país do presente” – como querem os mais ufanistas –, cerca de 19 milhões de cidadãos das classes D e E migraram para a classe C em 2010. Com isso, esse segmento passou a ser o maior do País, com 101 milhões de pessoas, ou 53% da população. Em vez de provocar terremotos ou tsunamis, esse segundo movimento resulta em um elenco de oportunidades sem precedentes no mercado de crédito brasileiro e também no mundo dos negócios em geral.
Depois que o Presidente Lula assumiu as ações sociais, tais como bolsa família, bolsa alimentação , prouni e oputros me4canismos de distribuição de renda como ações de governo, ocorreu uma mudança no formato da pirâmide social, agora mais parecida com um losango. As classes D e E concentram 25% da população brasileira (47,9 milhões), enquanto a classe C tornou-se mais ampla que as classes A e B, que têm ambas 21% da população ou 42,19 milhões de pessoas. Ou seja, a ascendente classe C aglutina mais gente do que as outras quatro somadas.
Outro ponto favorável que precisa ser destacado, é o aumento do nível de otimismo do brasileiro para com seu país pros anos vindouros, com um índice de 60%. Espera-se mais consumo (53%), mais crédito (52%) e uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 39%. Para ratificar esses índices, entrevistados das classes D e E se dizem “entusiasmados” com o Brasil de hoje. Além disso, mais de 50% dos brasileiros apostam em um crescimento do padrão de vida, situação financeira, capacidade de compras para o lar e dos investimentos neste ano.
O ano de 2010 também foi marcado pelo grande aumento da renda média dos brasileiros de todas as classes e regiões, uma alta mais acentuada nas classes D e E, cuja renda familiar média declarada é de R$ 809,00. Esse valor é 48,44% maior que em 2005, por exemplo, quando se iniciou a pesquisa no País. Enquanto isso, a renda disponível (rendimento total da família menos os gastos) cresceu 45,22% (R$ 200,64) em comparação com o ano de 2009.
Aumento da renda média significa também aumento do poder de compra e dos gastos médios, conforme o levantamento da Ipsos. Entre outros, o brasileiro despendeu em média mais dinheiro com supermercado (R$ 375,00), energia elétrica (R$ 74,00), aluguel (R$ 299,00), remédios (R$ 88,00), vestuário (R$ 198,00), educação (R$ 274,00) e prestações (R$ 184,00). Houve um crescimento nos gastos com seguros, previdência privada, aluguel, vestuário, e convênios médicos.
Internet
Embora tenha-se verificado um decréscimo no valor médio dos investimentos, mais brasileiros fizeram aplicações de dinheiro em vários segmentos em 2010, se comparado ao ano anterior. Para o ano presente (2011), a projeção de 79% dos entrevistados é de economizar mais, enquanto 48% deles afirmam que pretendem gastar mais. Essa intenção de compra reflete-se em todos os itens analisados, com destaque para móveis, decoração, entretenimento (TV, vídeo e HiFi), viagens e lazer.
Nessa intenção de compras, sobressai a presença marcante da Internet utilizada em 2010 por 41% dos brasileiros maiores de 16 anos – mais de 58 milhões de pessoas – a maioria deles para consultar sobre compras, a serem realizadas posteriormente nas lojas. Os produtos mais pesquisados foram aparelhos de TV, vídeos, HiFi, lazer, viagens e itens culturais. As aquisições virtuais, no ano passado, foram feitas por 20% da população, com o conseqüente crescimento dos pagamentos via boleto ou depósitos bancários. Quem optou pelo cartão de crédito buscou o parcelamento do pagamento.
Segundo a pesquisa, apenas 26% dos entrevistados costumam comparar as taxas de juros antes de escolher onde vão fazer suas compras financiadas. Já os integrantes das classes D e E demonstraram maior preocupação com o valor das prestações. Isso revela, a importância de nós ,os formadores de opiniões, em manter o foco na educação financeira da população, ainda mais “em um país onde a classe C é dominante”. Isso implica que temos como missão contribuir para a melhoria do bem-estar das famílias, quando procuramos incentivar as pessoas a realizarem o consumo sustentável e consciente.
Quando se governa com o foco no social tem a possibilidade de favorecer o acesso ao consumo e promoção da ascensão social, aumentando o poder aquisitivo familiar.
Depois que o Presidente Lula assumiu as ações sociais, tais como bolsa família, bolsa alimentação , prouni e oputros me4canismos de distribuição de renda como ações de governo, ocorreu uma mudança no formato da pirâmide social, agora mais parecida com um losango. As classes D e E concentram 25% da população brasileira (47,9 milhões), enquanto a classe C tornou-se mais ampla que as classes A e B, que têm ambas 21% da população ou 42,19 milhões de pessoas. Ou seja, a ascendente classe C aglutina mais gente do que as outras quatro somadas.
Outro ponto favorável que precisa ser destacado, é o aumento do nível de otimismo do brasileiro para com seu país pros anos vindouros, com um índice de 60%. Espera-se mais consumo (53%), mais crédito (52%) e uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 39%. Para ratificar esses índices, entrevistados das classes D e E se dizem “entusiasmados” com o Brasil de hoje. Além disso, mais de 50% dos brasileiros apostam em um crescimento do padrão de vida, situação financeira, capacidade de compras para o lar e dos investimentos neste ano.
O ano de 2010 também foi marcado pelo grande aumento da renda média dos brasileiros de todas as classes e regiões, uma alta mais acentuada nas classes D e E, cuja renda familiar média declarada é de R$ 809,00. Esse valor é 48,44% maior que em 2005, por exemplo, quando se iniciou a pesquisa no País. Enquanto isso, a renda disponível (rendimento total da família menos os gastos) cresceu 45,22% (R$ 200,64) em comparação com o ano de 2009.
Aumento da renda média significa também aumento do poder de compra e dos gastos médios, conforme o levantamento da Ipsos. Entre outros, o brasileiro despendeu em média mais dinheiro com supermercado (R$ 375,00), energia elétrica (R$ 74,00), aluguel (R$ 299,00), remédios (R$ 88,00), vestuário (R$ 198,00), educação (R$ 274,00) e prestações (R$ 184,00). Houve um crescimento nos gastos com seguros, previdência privada, aluguel, vestuário, e convênios médicos.
Internet
Embora tenha-se verificado um decréscimo no valor médio dos investimentos, mais brasileiros fizeram aplicações de dinheiro em vários segmentos em 2010, se comparado ao ano anterior. Para o ano presente (2011), a projeção de 79% dos entrevistados é de economizar mais, enquanto 48% deles afirmam que pretendem gastar mais. Essa intenção de compra reflete-se em todos os itens analisados, com destaque para móveis, decoração, entretenimento (TV, vídeo e HiFi), viagens e lazer.
Nessa intenção de compras, sobressai a presença marcante da Internet utilizada em 2010 por 41% dos brasileiros maiores de 16 anos – mais de 58 milhões de pessoas – a maioria deles para consultar sobre compras, a serem realizadas posteriormente nas lojas. Os produtos mais pesquisados foram aparelhos de TV, vídeos, HiFi, lazer, viagens e itens culturais. As aquisições virtuais, no ano passado, foram feitas por 20% da população, com o conseqüente crescimento dos pagamentos via boleto ou depósitos bancários. Quem optou pelo cartão de crédito buscou o parcelamento do pagamento.
Segundo a pesquisa, apenas 26% dos entrevistados costumam comparar as taxas de juros antes de escolher onde vão fazer suas compras financiadas. Já os integrantes das classes D e E demonstraram maior preocupação com o valor das prestações. Isso revela, a importância de nós ,os formadores de opiniões, em manter o foco na educação financeira da população, ainda mais “em um país onde a classe C é dominante”. Isso implica que temos como missão contribuir para a melhoria do bem-estar das famílias, quando procuramos incentivar as pessoas a realizarem o consumo sustentável e consciente.
Quando se governa com o foco no social tem a possibilidade de favorecer o acesso ao consumo e promoção da ascensão social, aumentando o poder aquisitivo familiar.
Dê adeus ao lixo tóxico saiba o que as chamadas grandes marcas, se quiserem, podem fazer pela sua saúde
Na hora de comprar um celular ou um computador levamos em consideração preço e qualidade. Descobrir que o aparelho está carregado de produtos tóxicos e que a empresa produtora não respeita critérios ambientais de descarte e reciclagem e usa energia suja para produzi-lo mudaria essa compra? A resposta do mercado é, cada vez mais, sim. Enquanto consumidores buscam produtos ecologicamente corretos, grandes marcas se esmeram por um bom lugar em nosso Guia de Eletrônicos Verdes.
Na última década, a vida útil de um computador passou de seis para dois anos, tempo em que ele já está pronto para ser substituído pelo último modelo. O mesmo vale para celular, aparelhos de TV e de jogos eletrônicos. A febre por inovação faz com que, a cada ano, entre 20 e 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico parem em aterros ou sejam incineradas, quantidade suficiente para encher caminhões enfileirados em uma volta ao redor da Terra. O lixo eletrônico, em muitos países, já chega a 5% de todo o resíduo sólido urbano rejeitado. Na Europa, esse tipo de descarte cresce três vezes mais rápido do que qualquer outro.
Não é só a quantidade que assusta. Aparelhos eletrônicos são uma mistura de produtos tóxicos e metais pesados, com alto potencial de prejuízo à saúde humana. Um celular pode conter entre 500 e 1.000 componentes, alguns altamente perigosos como chumbo, mercúrio, cádmio e berílio. Os maiores vilões dessa lista são os Retardantes de Chama Brominados (BFR, na sigla em inglês), substância usada para inibir a combustão, e o PVC, componente do plástico. Eles não só poluem o ambiente, como colocam trabalhadores em risco de exposição tóxica durante a produção e o descarte do aparelho.
Segundo dados da Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA), mais de três quartos dos computadores vendidos no país acumulam pó em armazéns ou estão empilhados em garagens e armários. Quando não vão para o lixo, eles são revendidos, muitas vezes ilegalmente, para países em desenvolvimento, onde a população tem menor poder aquisitivo para comprar novos. O resultado? Em pouco tempo vão parar nos lixões por lá também. A previsão é que, com isso, esses países tripliquem a produção do chamado “e-lixo” nos próximos cinco anos.
De olho nelas
Publicado trimestralmente desde agosto de 2006, o Guia de Eletrônicos Verdes tem como objetivo pressionar as empresas a produzir eletrônicos mais limpos e duráveis, que possam ser substituídos, reciclados e descartados sem prejuízos à saúde humana e ambiental. Na lista estão dezoito grandes empresas fabricantes de computadores, celulares, TVs e consoles de jogos eletrônicos. Nomes como Nokia, Apple, Motorola e Microsoft estão na mira do Guia, que dá pontos por boas práticas e tira quando as promessas deixam de ser cumpridas.
“Notamos que as marcas gostavam de falar muito sobre suas credenciais verdes e tivemos curiosidade em saber como era de fato a posição de umas perante às outras e às nossas próprias reivindicações”, explica Casey Harrell, coordenador internacional dacampanha de Tóxicos. “Consumidores têm interesse em comprar produtos ambientalmente corretos. Através do Guia, podemos finalmente definir o que isso significa: educar os que compram e promover a concorrência saudável.”
Na edição de 2010, a Nokia permanece na frente, seguida por Sony Ericsson e Toshiba. Apple traz bons resultados ao apresentar produtos totalmente livres de PVC e BFR e Samsung cai drasticamente graças ao não cumprimento de promessas estabelecidas na edição anterior. Grandes como a Microsoft e a Nintendo seguem no mau exemplo, com baixíssima pontuação. Veja aqui a lista completa.
As empresas são avaliadas em três categorias: químicos, energia e lixo. Para cada uma, há cinco quesitos a serem preenchidos. As questões vão desde a aceitação do princípio de Responsabilidade Individual do Produtor, que obriga a empresa a arcar financeiramente com o destino final de tudo aquilo que produz, até a substituição de todo produto químico que for perigoso à saúde por alternativa segura.
Dentro de químicos, acumula pontos a empresa que apoiar a revisão para a Restrição a Substâncias Perigosas (Restriction of Hazardous Substances – RoHS, em inglês), diretiva europeia de 2006 que pretende banir das prateleiras os equipamentos que extrapolem níveis aceitáveis de toxinas. A ONG Greenpeace cobra uma nova versão, mais severa, para essa diretiva. Além disso, é preciso estabelecer prazos para diminuir o uso de substâncias tóxicas e cumpri-los. Quem apresenta produtos totalmente isentos de PVC e BFR ganha pontos duplos.
Na categoria lixo, as empresas precisam fazer bonito em itens como apoio a leis severas de reciclagem em países onde não haja esse procedimento e uso de plástico reciclado sempre que possível em seus produtos. Quando o assunto é energia, quanto maior o uso de renováveis, mais pontos. Apresentar compensações para as emissões de gases do efeito estufa também pontua. Por fim, ganham no ranking as empresas que emprestam seu nome em apoio à redução global de emissões.
“As marcas caminham em melhores direções. Há cinco anos precisávamos brigar para que aceitassem a responsabilidade pelo lixo eletrônico que geravam. Hoje, quase todas já estão engajadas nessa função. Ainda assim, há muito espaço para melhora. As empresas estão mais verdes, mas ainda estão longe de serem verdes. Por enquanto o que podemos concluir é que competição funciona.
Se formos capazes de responder à nossa intuição,
se usarmos o nosso talento e capacidade
de modo despreocupado e isento de tensão,
acabamos contatando a energia do Anjo do Sucesso;
e a ajuda virá e nos capacitará a ter êxito
nos nossos empreendimentos.
O Anjo do Sucesso anima você a mergulhar
na sua determinação pessoal e a tomar
conhecimento da missão da sua vida.
Tenha uma ótima quarta feira.
sábado, maio 21, 2011
Como a radiação pode ameaçar a saúde?
À medida que aumentam as preocupações quanto aos vazamentos de radiação em Fukushima, é possível saber quais serão as sequelas desse desastre?
EXPOSTOS: exposição temporária a níveis de radiação muitas vezes acima dos limites de segurança não é necessariamente perigosa.
A crise na usina nuclear Daiichi despertou preocupações sobre os efeitos para a saúde da exposição à radiação. O que é um nível “perigoso” de radiação? Como a radiação prejudica a saúde? Quais são as consequências de radiação aguda e em baixa dosagem?
“Não estamos nem perto dos níveis que as pessoas deveriam se preocupar”, esclarece Susan M. Langhorst, física e encarregada de segurança de radiação na Washington University, em Saint Louis.
De acordo com Abel Gonzalez, vice-presidente da Comissão Internacional de Proteção Radiológica que estudou o desastre de 1986 em Chernobyl, na melhor das hipóteses as informações atuais vindas do Japão sobre níves de vazamento de radiação são incompletas.
Níveis de radiação:
Em média, as pessoas são expostas a um nível de 2 a 3 millisieverts de radiação por ano, proveniente de uma combinação de radiação cósmica, emissões de materiais de construção e substâncias radiativas naturais no ambiente.
A Comissão Regulatória Nuclear dos Estados Unidos recomenda que o público em geral limite sua exposição a menos de 1 millisievert adicional por ano. Para pacientes submetidos à radiação médica não há limite rígido de exposição – é responsabilidade de profissionais médicos pesar riscos e benefícios da radiação usada em diagnósticos e tratamentos. Por exemplo, uma única sessão de tomografia computadorizada pode expor o paciente a mais de 1 millisievert.
A doença da radiação (ou síndrome aguda de radiação) manifesta-se depois de uma dose de 3 sieverts – 3 mil vezes a dose recomendada para o público em geral por ano. Os primeiros sintomas são: náuseas, vômitos e diarréia. Esses sintomas começam a aparecer num prazo de minutos ou dias, informam os Centros para Controle de Doenças dos Estados Unidos. Um período de enfermidade séria, que inclui perda de apetite, fadiga, febre, problemas gastrintestinais e, possivelmente, convulsões ou coma, pode vir em seguida e durar de horas a meses.
Tipos de radiação:
O que é preocupante na situação atual é a radiação por ionização, produzida por isótopos pesados em decaimento espontâneo, tais como iodo 131 e césio 137. Esse tipo de radiação tem energia suficiente para ionizar átomos (criando carga positiva ao suprimir elétrons), o que lhes dá o potencial químico para reagir de forma deletéria com átomos e moléculas de tecidos vivos.
A radiação por ionização pode ter diferentes formas: nas radiações por raios gama e raios-X, átomos liberam partículas energéticas leves com potência suficiente para penetrar o corpo. As radiações por partículas alfa e beta têm energia mais baixa e podem ser bloqueadas por uma simples folha de papel. Se o material radiativo entra no corpo por ingestão ou inalação, no entanto, são precisamente as radiações alfa e beta com energia mais baixa que tornam-se mais perigosas. Isso porque uma grande porção de radiação por raios gama e X vai passar diretamente através do corpo sem interagir com o tecido, já radiações alfa e beta, incapazes de penetrar tecido, gastarão toda sua energia ao colidir com átomos do corpo e provavelmente causarão maior estrago.
EXPOSTOS: exposição temporária a níveis de radiação muitas vezes acima dos limites de segurança não é necessariamente perigosa.
A crise na usina nuclear Daiichi despertou preocupações sobre os efeitos para a saúde da exposição à radiação. O que é um nível “perigoso” de radiação? Como a radiação prejudica a saúde? Quais são as consequências de radiação aguda e em baixa dosagem?
“Não estamos nem perto dos níveis que as pessoas deveriam se preocupar”, esclarece Susan M. Langhorst, física e encarregada de segurança de radiação na Washington University, em Saint Louis.
De acordo com Abel Gonzalez, vice-presidente da Comissão Internacional de Proteção Radiológica que estudou o desastre de 1986 em Chernobyl, na melhor das hipóteses as informações atuais vindas do Japão sobre níves de vazamento de radiação são incompletas.
Níveis de radiação:
Em média, as pessoas são expostas a um nível de 2 a 3 millisieverts de radiação por ano, proveniente de uma combinação de radiação cósmica, emissões de materiais de construção e substâncias radiativas naturais no ambiente.
A Comissão Regulatória Nuclear dos Estados Unidos recomenda que o público em geral limite sua exposição a menos de 1 millisievert adicional por ano. Para pacientes submetidos à radiação médica não há limite rígido de exposição – é responsabilidade de profissionais médicos pesar riscos e benefícios da radiação usada em diagnósticos e tratamentos. Por exemplo, uma única sessão de tomografia computadorizada pode expor o paciente a mais de 1 millisievert.
A doença da radiação (ou síndrome aguda de radiação) manifesta-se depois de uma dose de 3 sieverts – 3 mil vezes a dose recomendada para o público em geral por ano. Os primeiros sintomas são: náuseas, vômitos e diarréia. Esses sintomas começam a aparecer num prazo de minutos ou dias, informam os Centros para Controle de Doenças dos Estados Unidos. Um período de enfermidade séria, que inclui perda de apetite, fadiga, febre, problemas gastrintestinais e, possivelmente, convulsões ou coma, pode vir em seguida e durar de horas a meses.
Tipos de radiação:
O que é preocupante na situação atual é a radiação por ionização, produzida por isótopos pesados em decaimento espontâneo, tais como iodo 131 e césio 137. Esse tipo de radiação tem energia suficiente para ionizar átomos (criando carga positiva ao suprimir elétrons), o que lhes dá o potencial químico para reagir de forma deletéria com átomos e moléculas de tecidos vivos.
A radiação por ionização pode ter diferentes formas: nas radiações por raios gama e raios-X, átomos liberam partículas energéticas leves com potência suficiente para penetrar o corpo. As radiações por partículas alfa e beta têm energia mais baixa e podem ser bloqueadas por uma simples folha de papel. Se o material radiativo entra no corpo por ingestão ou inalação, no entanto, são precisamente as radiações alfa e beta com energia mais baixa que tornam-se mais perigosas. Isso porque uma grande porção de radiação por raios gama e X vai passar diretamente através do corpo sem interagir com o tecido, já radiações alfa e beta, incapazes de penetrar tecido, gastarão toda sua energia ao colidir com átomos do corpo e provavelmente causarão maior estrago.
Mais um capitulo da novela do codigo florestal
A novela da mudança do Código Florestal, ao que tudo indica, deverá se arrastar por muitos e longos capítulos antes de chegar ao fim.
Não que o fim pareça promissor, ao contrário.
Estranha novela, pretensamente formada por mocinhos e heróis sem a participação de vilões.
Literatura alguma, nem mesmo uma soap opera, expressão que em inglês denota os odiosos e melodramáticos conteúdos noturnos da TV (telenovelas) se sustentam na ausência de vilões, declarados ou dissimulados.
O relator da reforma do Código, deputado Aldo Rebelo ─ do PC do B-SP, à época do governo dos generais partido que devorava criancinhas ─ deixou o governo irritado na última quinta-feira com sua insistência em voltar atrás em acordos tidos como já resolvidos.
Rebelo ─ revelando a verdadeira face do seu partido e de outros comunistas do passado recente, gente conservadora, moralista e oportunista ─ agora compõe politicamente com ruralistas mais arcaicos que os membros da Sociedade da Terra Plana. O negócio deles é fazer recuar uma legislação que protege minimamente a cobertura florestal no Brasil.
Recentemente a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciência (ABC) preveniram para o revés que pode representar as mudanças propostas no Código Florestal.
As duas instituições, representantes da comunidade científica nacional, dizem que a ciência foi posta de lado na tomada de decisões nesta área.
Mas, sejamos honestos, para que serve a ciência numa sociedade que, segundo Joaquim Nabuco, na melhor das hipóteses e com muito esforço precisaria de séculos para livrar-se dos “entulhos da mentalidade escravista”?
Nada mais legítimo, na avaliação de boa parte da sociedade nacional, que um acerto entre sinhozinhos.
Preservam-se os privilégios e o restante da sociedade... ora bolas o restante da sociedade... Ela é que pague os impostos e permaneça de boca fechada.
A simples redução das matas ciliares (que seguem a margem dos rios) de 30 metros (o que já é um mínimo) para metade disso já é preocupante em muitos sentidos.
Uma delas é o assoreamento desses cursos d’água, com efeito danoso na flora e na fauna.
Mas o Brasil, como disse no início dos anos 70 (e depois disse que não disse) o então ministro do Planejamento dos generais, João Paulo dos Reis Velloso, “tem rios à vontade para serem poluídos”.
A sociedade nacional não se iluda. Desse mato não saem coelhinhos da Páscoa.
Não que o fim pareça promissor, ao contrário.
Estranha novela, pretensamente formada por mocinhos e heróis sem a participação de vilões.
Literatura alguma, nem mesmo uma soap opera, expressão que em inglês denota os odiosos e melodramáticos conteúdos noturnos da TV (telenovelas) se sustentam na ausência de vilões, declarados ou dissimulados.
O relator da reforma do Código, deputado Aldo Rebelo ─ do PC do B-SP, à época do governo dos generais partido que devorava criancinhas ─ deixou o governo irritado na última quinta-feira com sua insistência em voltar atrás em acordos tidos como já resolvidos.
Rebelo ─ revelando a verdadeira face do seu partido e de outros comunistas do passado recente, gente conservadora, moralista e oportunista ─ agora compõe politicamente com ruralistas mais arcaicos que os membros da Sociedade da Terra Plana. O negócio deles é fazer recuar uma legislação que protege minimamente a cobertura florestal no Brasil.
Recentemente a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciência (ABC) preveniram para o revés que pode representar as mudanças propostas no Código Florestal.
As duas instituições, representantes da comunidade científica nacional, dizem que a ciência foi posta de lado na tomada de decisões nesta área.
Mas, sejamos honestos, para que serve a ciência numa sociedade que, segundo Joaquim Nabuco, na melhor das hipóteses e com muito esforço precisaria de séculos para livrar-se dos “entulhos da mentalidade escravista”?
Nada mais legítimo, na avaliação de boa parte da sociedade nacional, que um acerto entre sinhozinhos.
Preservam-se os privilégios e o restante da sociedade... ora bolas o restante da sociedade... Ela é que pague os impostos e permaneça de boca fechada.
A simples redução das matas ciliares (que seguem a margem dos rios) de 30 metros (o que já é um mínimo) para metade disso já é preocupante em muitos sentidos.
Uma delas é o assoreamento desses cursos d’água, com efeito danoso na flora e na fauna.
Mas o Brasil, como disse no início dos anos 70 (e depois disse que não disse) o então ministro do Planejamento dos generais, João Paulo dos Reis Velloso, “tem rios à vontade para serem poluídos”.
A sociedade nacional não se iluda. Desse mato não saem coelhinhos da Páscoa.
segunda-feira, maio 16, 2011
Agressão mata mais os negros
Enquanto homens brancos jovens são vítimas mais frequentes de acidentes de trânsito (35,3%), metade dos da raça negra com idade entre 15 e 29 anos costumam ser mortos em homicídios
Débora Álvares
Marcelo da Fonseca
Brasília – No dia em que a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, apresentou em São Paulo a campanha Igualdade Racial é Pra Valer, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou dados preocupantes no levantamento Dinâmica Demográfica da População Negra Brasileira. Segundo o estudo, apesar de representarem a maior parte dos brasileiros – o último Censo Demográfico apontou que 97 milhões de pessoas se autodeclararam negras, contra 91 milhões, que se disseram brancas – os negros, especialmente os homens, ainda sofrem com desigualdades.
Quase 10% dos homens negros mortos por ano têm idades entre 15 e 29 anos, número que não chega a 4% entre os jovens brancos. Causas externas como agressões (homicídios, espancamentos, etc), acidentes de trânsito, afogamentos, suicídios e quedas ficaram em segundo lugar na lista dos principais motivos de mortes entre a população negra e representam 24,3% do total, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares. Entre os brancos, as causas externas (14,1%) aparecem apenas em terceiro lugar das principais formas de óbitos, atrás de enfermidades do aparelho circulatório (28%) e neoplasias (17,3%).
Ao analisar separadamente as causas externas, os números do Ipea apontaram as agressões como o motivo que mais matou negros no país (48%), seguida por acidente de trânsito (24%). A análise dos óbitos de homens brancos pela mesma causa mostra uma realidade inversa: acidentes de trânsito (35,3%) matam mais que agressões (31%).
Para o secretário Executivo da Secretaria de Promoção à Igualdade Social, Mário Lisboa Theodoro, que participou do lançamento do estudo, a quantidade mais elevada de homicídios entre negros se explica pela maior exposição à violência, derivada do preconceito e da discriminação. “O Brasil ainda vive com racismo. São estatísticas com dimensões de um quase extermínio”. Para o também professor de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB), os números do Ipea revelam o desafio do governo em desenvolver políticas públicas mais eficientes entre os negros. “Se a população negra aumentar e esse tratamento destinado a ela for mantido, teremos ainda maior desigualdade. O estado terá que focar cada vez mais nessas pessoas para evitar um abismo social”, avaliou o pesquisador.
Alberto Júnior José Martins, de 24 anos, integra as estatísticas e ajuda a fortalecer a tese de vulnerabilidade da população negra. O atraso ao voltar para casa depois de buscar a irmã no colégio foi o estopim para as diversas agressões sofridas por ele e pela família. O jovem, que nunca acreditou nas ameaças de morte desferidas pelo pai, embora fosse vítima de agressões verbais e físicas, assim como a mãe e os dois irmãos – uma de 17 anos, outro de 20 –, acabou sendo vítima da fúria que tomava conta do progenitor quando algo o tirava do sério.
A mãe do rapaz, Elízia José Martins, de 49, mesmo dois meses depois da morte do filho ainda não sabe explicar o que pode ter motivado o marido a cumprir o que dizia. “Ele sempre nos ameaçava, mas pensávamos que era só para nos fazer medo, para impor respeito”. O rapaz, atingido com um golpe de faca de cozinha no abdômen, abaixo do umbigo, chegou a caminhar para fora de casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no colo da irmã, que acompanhou tudo. “Às vezes, fico pensando que poderia ter evitado. Falei com o pai dele por telefone antes e ele já estava muito alterado. Não devia ter deixado meu filho entrar lá sozinho”, desabafou Elízia.
NASCIMENTOS O Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), trouxe uma novidade não vista desde o primeiro levantamento realizado, em 1872: o número de negros ultrapassou o de brancos no país – 97 milhões de pessoas se autodeclararam negras, contra 91 milhões, que se disseram brancas. Para o Ipea, o principal fator para isso é a maior fecundidade entre as mulheres negras, na comparação com as brancas. “Observando a pirâmide etária, notamos que a negras são responsáveis por praticamente todos os nascimentos no país”, destacou a técnica em pesquisas do Ipea, Ana Amélia Camarano, responsável pela pesquisa.
Embora sigam a tendência de diminuição da quantidade de filhos, a taxa de fecundidade total – filhos por mulher ao final da vida reprodutiva – da população negra permanece superior à branca. Enquanto entre as negras esse número fique na média de 2,1 filhos por mulher, entre a brancas é de 1,6. Em 1999, essa média era de 2,7 entre as negras e 2,2, entre as brancas.Além da fecundidade da população negra, a maior porcentagem de negros na população brasileira se deve a uma realidade social, de conscientização para a autoafirmação dos pretos e pardos. “Houve um trabalho muito intenso, desde os anos 70, para que as pessoas se auto assumissem negras e as pessoas, com o tempo, passaram a não ter mais vergonha disso”, ressaltou Ana Amélia.
Números que machucam
Os dados da pesquisa divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foram sentidos na pele por duas famílias mineiras. O sofrimento com a perda não aparece nas estatísticas, mas acompanha o dia-a-dia dos parentes próximos, que ainda buscam explicações para a morte dos jovens. Um homicídio que até hoje não foi totalmente explicado e um acidente por causa de imprudência e excesso de velocidade mudaram a vida dos pais de Jeferson e Lucas.
Seu Petríneo Veriano da Silva, de 71 anos, ainda não se esqueceu dos detalhes na cena do crime, quando encontrou o corpo do filho e do neto estendidos na rua. Depois de dois meses da morte de Renilson Veriando da Silva, de 40, e Jefferson Coelho da Silva, de 17, familiares e vizinhos sentem diariamente a falta da dupla. “Não esqueço das pessoas mais próximas tentando acordar meu filho, sem entender o que tinha acontecido. Lembro também das marcas de tiro, duas na barriga do meu Renilson e um bem nas costas do meu neto. São detalhes que ninguém gosta de lembrar, mas não dá para esquecer facilmente não. Estragou a nossa vida de forma brutal”, lamenta seu Petríneo.
Na madrugada de 20 de fevereiro, Jeferson e seu tio, Renilson, voltavam de uma festa quando foram assassinados a tiros por policiais militares, no Aglomerado da Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso ganhou repercussão depois de provado que a versão apresentada pelo policiais militares que participaram da ação – de que a dupla foi morta em uma troca de tiros – era inventada. “Vi o Jeferson crescendo e ele nunca se envolveu com qualquer tipo de confusão. O Renilson também era trabalhador e responsável, a morte deles foi uma grande decepção para todos os moradores do bairro. Até hoje, meus filhos, que eram como irmãos, sentem a falta do garoto”, diz Waltecir Barbosa Miranda, vizinho de Jeferson e Renilson.
ACIDENTE Lucas Emanuel, de 16, voltava com a família das férias e se apresentaria na semana seguinte para iniciar a preparação para um torneio internacional, nas categorias de base do América. A expectativa para a viagem internacional pelo clube e o sonho de se tornar jogador de futebol profissional acabaram no fim do ano passado, quando ele morreu em um acidente na BR-040, na altura do município de Nova Lima, sentido Belo Horizonte/Rio de Janeiro.
Lutando para superar a ausência do filho, Luiz Carlos Pereira prefere lembrar das conquistas que Lucas teve na infância e do exemplo como jovem alegre e cheio de sonhos. “Como pai, ainda é muito difícil entender porque tamanha tragédia aconteceu na nossa família. Tudo o que vivemos fica marcado, não é fácil vencer a saudade”, afirma. Luiz lamenta também o grande número de vítimas do trânsito e acredita que uma mudança é possível, mas deve partir dos próprios motoristas. “Hoje, as pessoas têm muita dificuldade para entender até onde vão seus direitos, por isso acabam desrespeitando os outros sem pensar nas consequências. A correria para chegar na hora, o egoísmo de sempre querer levar vantagem em cima do outro podem destruir a vida de famílias inteiras e isso não pode ser recuperado. Acho que ainda teremos muitas perdas com o trânsito, infelizmente”, pondera.
Débora Álvares
Marcelo da Fonseca
Brasília – No dia em que a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, apresentou em São Paulo a campanha Igualdade Racial é Pra Valer, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou dados preocupantes no levantamento Dinâmica Demográfica da População Negra Brasileira. Segundo o estudo, apesar de representarem a maior parte dos brasileiros – o último Censo Demográfico apontou que 97 milhões de pessoas se autodeclararam negras, contra 91 milhões, que se disseram brancas – os negros, especialmente os homens, ainda sofrem com desigualdades.
Quase 10% dos homens negros mortos por ano têm idades entre 15 e 29 anos, número que não chega a 4% entre os jovens brancos. Causas externas como agressões (homicídios, espancamentos, etc), acidentes de trânsito, afogamentos, suicídios e quedas ficaram em segundo lugar na lista dos principais motivos de mortes entre a população negra e representam 24,3% do total, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares. Entre os brancos, as causas externas (14,1%) aparecem apenas em terceiro lugar das principais formas de óbitos, atrás de enfermidades do aparelho circulatório (28%) e neoplasias (17,3%).
Ao analisar separadamente as causas externas, os números do Ipea apontaram as agressões como o motivo que mais matou negros no país (48%), seguida por acidente de trânsito (24%). A análise dos óbitos de homens brancos pela mesma causa mostra uma realidade inversa: acidentes de trânsito (35,3%) matam mais que agressões (31%).
Para o secretário Executivo da Secretaria de Promoção à Igualdade Social, Mário Lisboa Theodoro, que participou do lançamento do estudo, a quantidade mais elevada de homicídios entre negros se explica pela maior exposição à violência, derivada do preconceito e da discriminação. “O Brasil ainda vive com racismo. São estatísticas com dimensões de um quase extermínio”. Para o também professor de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB), os números do Ipea revelam o desafio do governo em desenvolver políticas públicas mais eficientes entre os negros. “Se a população negra aumentar e esse tratamento destinado a ela for mantido, teremos ainda maior desigualdade. O estado terá que focar cada vez mais nessas pessoas para evitar um abismo social”, avaliou o pesquisador.
Alberto Júnior José Martins, de 24 anos, integra as estatísticas e ajuda a fortalecer a tese de vulnerabilidade da população negra. O atraso ao voltar para casa depois de buscar a irmã no colégio foi o estopim para as diversas agressões sofridas por ele e pela família. O jovem, que nunca acreditou nas ameaças de morte desferidas pelo pai, embora fosse vítima de agressões verbais e físicas, assim como a mãe e os dois irmãos – uma de 17 anos, outro de 20 –, acabou sendo vítima da fúria que tomava conta do progenitor quando algo o tirava do sério.
A mãe do rapaz, Elízia José Martins, de 49, mesmo dois meses depois da morte do filho ainda não sabe explicar o que pode ter motivado o marido a cumprir o que dizia. “Ele sempre nos ameaçava, mas pensávamos que era só para nos fazer medo, para impor respeito”. O rapaz, atingido com um golpe de faca de cozinha no abdômen, abaixo do umbigo, chegou a caminhar para fora de casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no colo da irmã, que acompanhou tudo. “Às vezes, fico pensando que poderia ter evitado. Falei com o pai dele por telefone antes e ele já estava muito alterado. Não devia ter deixado meu filho entrar lá sozinho”, desabafou Elízia.
NASCIMENTOS O Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), trouxe uma novidade não vista desde o primeiro levantamento realizado, em 1872: o número de negros ultrapassou o de brancos no país – 97 milhões de pessoas se autodeclararam negras, contra 91 milhões, que se disseram brancas. Para o Ipea, o principal fator para isso é a maior fecundidade entre as mulheres negras, na comparação com as brancas. “Observando a pirâmide etária, notamos que a negras são responsáveis por praticamente todos os nascimentos no país”, destacou a técnica em pesquisas do Ipea, Ana Amélia Camarano, responsável pela pesquisa.
Embora sigam a tendência de diminuição da quantidade de filhos, a taxa de fecundidade total – filhos por mulher ao final da vida reprodutiva – da população negra permanece superior à branca. Enquanto entre as negras esse número fique na média de 2,1 filhos por mulher, entre a brancas é de 1,6. Em 1999, essa média era de 2,7 entre as negras e 2,2, entre as brancas.Além da fecundidade da população negra, a maior porcentagem de negros na população brasileira se deve a uma realidade social, de conscientização para a autoafirmação dos pretos e pardos. “Houve um trabalho muito intenso, desde os anos 70, para que as pessoas se auto assumissem negras e as pessoas, com o tempo, passaram a não ter mais vergonha disso”, ressaltou Ana Amélia.
Números que machucam
Os dados da pesquisa divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foram sentidos na pele por duas famílias mineiras. O sofrimento com a perda não aparece nas estatísticas, mas acompanha o dia-a-dia dos parentes próximos, que ainda buscam explicações para a morte dos jovens. Um homicídio que até hoje não foi totalmente explicado e um acidente por causa de imprudência e excesso de velocidade mudaram a vida dos pais de Jeferson e Lucas.
Seu Petríneo Veriano da Silva, de 71 anos, ainda não se esqueceu dos detalhes na cena do crime, quando encontrou o corpo do filho e do neto estendidos na rua. Depois de dois meses da morte de Renilson Veriando da Silva, de 40, e Jefferson Coelho da Silva, de 17, familiares e vizinhos sentem diariamente a falta da dupla. “Não esqueço das pessoas mais próximas tentando acordar meu filho, sem entender o que tinha acontecido. Lembro também das marcas de tiro, duas na barriga do meu Renilson e um bem nas costas do meu neto. São detalhes que ninguém gosta de lembrar, mas não dá para esquecer facilmente não. Estragou a nossa vida de forma brutal”, lamenta seu Petríneo.
Na madrugada de 20 de fevereiro, Jeferson e seu tio, Renilson, voltavam de uma festa quando foram assassinados a tiros por policiais militares, no Aglomerado da Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso ganhou repercussão depois de provado que a versão apresentada pelo policiais militares que participaram da ação – de que a dupla foi morta em uma troca de tiros – era inventada. “Vi o Jeferson crescendo e ele nunca se envolveu com qualquer tipo de confusão. O Renilson também era trabalhador e responsável, a morte deles foi uma grande decepção para todos os moradores do bairro. Até hoje, meus filhos, que eram como irmãos, sentem a falta do garoto”, diz Waltecir Barbosa Miranda, vizinho de Jeferson e Renilson.
ACIDENTE Lucas Emanuel, de 16, voltava com a família das férias e se apresentaria na semana seguinte para iniciar a preparação para um torneio internacional, nas categorias de base do América. A expectativa para a viagem internacional pelo clube e o sonho de se tornar jogador de futebol profissional acabaram no fim do ano passado, quando ele morreu em um acidente na BR-040, na altura do município de Nova Lima, sentido Belo Horizonte/Rio de Janeiro.
Lutando para superar a ausência do filho, Luiz Carlos Pereira prefere lembrar das conquistas que Lucas teve na infância e do exemplo como jovem alegre e cheio de sonhos. “Como pai, ainda é muito difícil entender porque tamanha tragédia aconteceu na nossa família. Tudo o que vivemos fica marcado, não é fácil vencer a saudade”, afirma. Luiz lamenta também o grande número de vítimas do trânsito e acredita que uma mudança é possível, mas deve partir dos próprios motoristas. “Hoje, as pessoas têm muita dificuldade para entender até onde vão seus direitos, por isso acabam desrespeitando os outros sem pensar nas consequências. A correria para chegar na hora, o egoísmo de sempre querer levar vantagem em cima do outro podem destruir a vida de famílias inteiras e isso não pode ser recuperado. Acho que ainda teremos muitas perdas com o trânsito, infelizmente”, pondera.
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