Por Wangari Maathai
Ambientalista, Prêmio Nobel da Paz 2004
Discurso de Wangari Maathai por ocasião do recebimento do Prêmio Nobel da Paz de 2004. Oslo, 10 de Dezembro de 2004.
Recebo, humildemente, este reconhecimento e sinto-me profundamente honrada pelo privilégio de ser agraciada com o Prêmio Nobel da Paz. Como a primeira mulher africana a receber este Prêmio, eu o aceito em nome do povo do Quênia, da África, e, na verdade, do mundo. Tenho, em especial, na mente as mulheres e crianças. Eu espero que isto as encorajem a levantar suas vozes e ocupar mais espaços de liderança. Eu sei que esta distinção também dá um profundo sentimento de orgulho aos nossos homens, jovens e velhos. Como mãe, agradeço a inspiração que esse título traz às jovens impulsionando-as a perseguirem os seus sonhos.
Embora esse prêmio me tenha sido dado, ele reconhece o trabalho de incontáveis pessoas e grupos em todo o globo. Eles trabalham silenciosamente, e frequentemente sem reconhecimento, na proteção do meio ambiente, na promoção da democracia, na defesa dos direitos humanos, na garantia da igualdade entre homens e mulheres.
Assim fazendo, eles plantam sementes de paz. Eu sei, eles, também, estão orgulhosos hoje. A todos que se sentem representados por este prêmio, eu recomendo: utilizem-no para avançarem em suas missões até atingirem as altas expectativas que o mundo deposita sobre nós.
Esta honra também é de minha família, amigos, companheiros e daqueles que nos dão suporte em todo o mundo. Todos eles ajudaram a formatar a mesma visão e sustentam nosso trabalho, que foi sempre desenvolvido sob condições hostis. Sou grata ao povo do Quênia, que permaneceu esperançoso de que a democracia poderia ser uma realidade e que o meio ambiente poderia ser gerenciado com sustentabilidade. Por causa de seu apoio, estou hoje aqui para receber esta grande honraria. É um grande privilégio incluir-me entre os meus companheiros africanos, também, agraciados Nelson Mandela e F. W. de Klerk, Arcebispo Desmond Tutu, Chefe Albert Luthuli, Anwar el-Sadat e Kofi Annan.
Sei que os cidadãos africanos, onde quer que cada um esteja, serão estimulados por essa notícia. Meus companheiros africanos: ao recebermos este reconhecimento, devemos utilizá-lo para intensificar nosso compromisso com o nosso povo, para reduzir conflitos e pobreza e assim melhorar qualidade de vida dele. Vamos defender o governo democrático, proteger os direitos humanos e proteger nosso meio ambiente. Acredito que haveremos de despertar. Sempre acreditei que as soluções para a maioria dos nossos problemas deveriam vir de nós mesmos.
Neste ano o Comitê Norueguês do Nobel destacou o crítico tema do meio ambiente e suas ligações com democracia e paz diante do mundo. Por sua ação visionária, eu estou profundamente agradecida. Admitir que desenvolvimento sustentável, democracia e paz são indivisíveis é uma idéia que hoje se consagra. Nosso trabalho durante os últimos 30 anos tem-se voltado para essa realidade.
Minha inspiração vem em parte de minhas experiências de infância e observações da natureza na zona rural do Quênia. Foi influenciada e nutrida pela educação formal que tive o privilégio de receber no Quênia, Estados Unidos e Alemanha. Enquanto crescia, testemunhava a devastação da floresta para em seu lugar surgirem plantações comerciais, que destruíam nossa biodiversidade local e a capacidade das florestas de conservar nossos recursos hídricos.
Em 1977, quando comecei o Movimento Cinturão Verde, eu, em parte, respondia a necessidades identificadas pelas mulheres rurais, tais como falta de lenha, água potável limpa, nutrição balanceada, moradia e renda. Em toda a África, são as mulheres as principais guardiãs, que têm a significante responsabilidade de cultivar a terra e alimentar suas famílias. Em razão disso, são elas as primeiras a se preocuparem com a degradação do meio ambiente quando os recursos se tornam escassos e incapazes de providenciar o sustento suas famílias.
As mulheres com as quais trabalhei diziam já não ser mais possível atender as suas necessidades básicas. Isto devido à degradação do meio ambiente em que viviam, bem como à introdução da agricultura comercial que substituiu o plantio de subsistência. O comércio internacional controlou os preços das exportações desses pequenos produtores impedindo que um justo e razoável ganho lhes fosse garantido. Eu vim a entender que quando o meio ambiente é destruído, saqueado e mal gerenciado, nós solapamos nossa qualidade de vida e a das gerações futuras.
O plantio de árvores tornou-se uma escolha natural para solucionar alguns dos problemas básicos identificados pelas mulheres. Além disso, o plantio de árvores é simples, tangível e garante rapidamente excelentes resultados. Isto mantém o interesse e o comprometimento.
Assim, juntas, nós plantamos mais de 30 milhões de árvores que fornecem combustível, comida, moradia e renda para manter a educação de suas crianças e necessidades do lar. A atividade também gera emprego e melhora o solo e os mananciais. Através desse envolvimento, as mulheres ganham certo poder sobre suas vidas, melhorando suas posições econômicas e sociais e suas relevâncias na família. O trabalho continua.
Inicialmente, o trabalho foi difícil porque historicamente nosso povo foi persuadido a acreditar que em razão da pobreza, lhes falta, também, tecnologia e habilidade para enfrentar seus desafios. São eles, pois, condicionados a crerem que as soluções dos seus problemas devem vir “de fora”. E mais, as mulheres não percebem que o atendimento de suas necessidades depende de um meio ambiente saudável e bem trabalhado. Não estavam conscientes de que a degradação do meio ambiente leva a uma escalada de escassez de recursos que pode culminar em miséria e até conflitos. Estavam ainda desavisadas das injustiças dos acertos econômicos internacionais.
A fim de ajudar as comunidades a entenderem essas conexões, nós desenvolvemos um programa de educação do cidadão, no qual o povo identifica seus problemas, causas e possíveis soluções. Eles, então, fazem as conexões entre suas próprias ações pessoais e os problemas que constatam no meio ambiente e na sociedade. Eles aprendem que nosso mundo é confrontado com a ladainha do sofrimento: corrupção, violência contra mulheres e crianças, desestruturação das famílias, e desintegração das culturas e comunidades. Eles também identificam o abuso de drogas e substâncias químicas, especialmente entre jovens. Há doenças devastadoras a desafiar a cura ou acontecendo em proporções epidêmicas.
De particular preocupação são a AIDS, malária e doenças associadas à desnutrição. No front do meio ambiente, eles estão expostos a muitas atividades humanas que assolam o meio ambiente e as sociedades. Nelas se incluí a vasta destruição de ecossistemas, especialmente desflorestamentos, instabilidade climática e contaminação do solo e águas, que contribuem para a pobreza absoluta. No processo, os participantes descobrem que eles fazem parte da solução. Eles se conscientizam de seus potenciais escondidos e são estimulados a vencer a inércia e a agir. Eles vêm a reconhecer que são os guardiões e beneficiários do meio ambiente que os sustêm.
Comunidades inteiras também chegam ao entendimento de que enquanto é necessário cobrar responsabilidades dos seus governos, é igualmente importante que nos seus próprios relacionamentos, pratiquem os valores da liderança que desejam ver nos seus líderes, tais quais justiça, integridade e credibilidade. Embora inicialmente as atividades de plantio de árvores do Movimento Cinturão Verde não tenham contemplado questões de democracia e paz, logo, logo ficou claro que a responsabilidade de administração do meio ambiente seria impossível sem o espaço democrático.
Assim, a árvore veio a ser um símbolo para a luta democrática no Quênia. Cidadãos foram mobilizados para desafiar largamente o abuso de poder, a corrupção e a falta de gerenciamento ambiental. No Parque Uhuru de Nairobi, no “Canto da Liberdade”, e em muitos lugares no País, as árvores da paz foram plantadas para exigir a libertação dos prisioneiros de consciência e uma transição pacífica para a democracia. Através do Movimento Cinturão Verde, milhares de cidadãos comuns foram mobilizados durante étnicos conf litos no Quênia quando o Movimento utilizou árvores da paz para promover a conciliação entre comunidades conflitantes.
Durante a revisão constitucional, em curso, do Quênia, idênticas árvores da paz foram plantadas em muitas partes do país para promover a cultura da paz. Utilizar a árvore como um símbolo de paz é manter a larga tradição africana. Por exemplo, os anciãos do Kikuiu carregavam um cajado de thigi que, quando colocado entre os dois lados da disputa, faziam parar a luta e buscar conciliação. Muitas comunidades na África têm essas tradições. Tais práticas fazem parte de uma extensa herança cultural, que contribui para a conservação dos hábitats e a cultura da paz. Com a destruição dessas culturas e a introdução de novos valores, a biodiversidade local deixa de ser valorizada ou protegida e como conseqüência, rapidamente é degradada e extinta. Por esta razão, o Movimento Cinturão Verde explora o conceito da cultura da biodiversidade, especialmente no que tange a sementes nativas e plantas medicinais.
À medida que entendemos as causas da degradação ambiental, vemos a necessidade do gerenciamento sustentável. De fato, a qualidade do meio ambiente local é o reflexo do tipo de gerenciamento a ele dispensado, e sem bom gerenciamento não pode haver paz. Muitos países, que têm pobres sistemas de gerenciamento, são também propensos a ter conflitos e pobres leis protetoras do meio ambiente.
Em 2002, a coragem, persistência, paciência e comprometimento dos membros do Movimento Cinturão Verde, e outras organizações civis, e a população do Quênia, foram responsáveis pela transição pacífica para um governo democrático e lançaram a fundação de uma sociedade mais estável.
São transcorridos 30 anos desde que iniciei este trabalho. Atividades que devastam o meio ambiente e sociedades continuam a existir. Hoje nós enfrentamos um desafio que nos exige uma mudança de pensar, de tal forma que a Humanidade pare de ameaçar seu sistema de apoio à vida. Nós somos chamados a ajudar o Planeta a curar suas feridas, num processo de cura de nós mesmos, na verdade, abraçar a inteira criação e toda sua biodiversidade, beleza e esplendor.
Isto acontecerá se enxergarmos a necessidade de restabelecer nosso senso de ser parte da mais ampla família da vida, com quem nós partilhamos nosso evolucionário processo. No curso da história, haverá um tempo quando a humanidade é chamada a mudar para um novo nível de consciência, para atingir um patamar moral mais alto. Um tempo no qual teremos de perder nosso medo e dar esperança a cada um. O tempo é agora.
O Comitê Norueguês do Nobel desafiou o mundo a alargar o entendimento de paz: pode não haver paz sem desenvolvimento equilibrado; e pode não haver desenvolvimento sem gerenciamento sustentável do meio ambiente, num espaço pacífico e democrático. Esta mudança é uma idéia trazida com o tempo.
Eu conclamo todos os líderes, especialmente os da África, a expandirem o espaço democrático e construírem sociedades justas que permitam o florescimento da energia e criatividade de seus cidadãos. Aqueles que, como nós, tiveram o privilégio de receber educação, capacitação, experiências e até poder, devem ser modelos para as novas gerações de líderes. Neste aspecto, eu gostaria de pedir a libertação de minha colega agraciada Aund San Suu Kyi, de tal forma que ela possa continuar seu trabalho pela paz e democracia do povo de Burma e do mundo em geral.
A cultura desempenha um papel central na vida social, política e econômica das comunidades. De fato, a cultura pode ser o link que falta ao desenvolvimento da África. A cultura é dinâmica e evolui no tempo, conscientemente, descartando retrógradas tradições, tais como a mutilação genital feminina (FGM), absorvendo aspectos que são úteis e bons. Que os africanos, em especial, redescubram positivos aspectos de sua cultura. Aceitando-as, elas podem dar-lhes o senso de lhes pertencerem, de identidade e autoconfiança. Há, ainda, a necessidade de unirse a sociedade civil e os movimentos populares para a catalisação das mudanças. Eu apelo aos governos para reconhecerem o papel desses movimentos sociais na construção de uma massa crítica de cidadãos responsáveis, que ajudem a manter o equilíbrio em sociedade. De sua parte, a sociedade civil deve encampar não só seus direitos, mas também seus deveres.
Mais ainda, indústria e instituições globais devem entender que a garantia da justiça econômica, eqüidade e integridade ecológica são mais valiosas do que lucros a qualquer preço. As extremas desigualdades globais e a prevalência dos padrões de consumos existem à custa do meio ambiente e da co-existência pacífica. Eu gostaria de apelar à juventude a comprometerse com atividades que contribuam para que realize os seus sonhos de longo prazo. O jovem tem energia e criatividade para modelar um futuro sustentável.
Para os jovens eu digo que vocês são um presente para suas comunidades e mesmo para o mundo. Vocês são a nossa esperança e o nosso futuro. A abordagem holística do desenvolvimento, como exemplificado pelo Movimento, pode ser abraçada e multiplicada em muitas partes da África e além. É por esta razão que criei a Fundação Wangari Maathai para assegurar a continuação e expansão destas atividades.
Ao concluir, eu reflito sobre minha experiência de criança, quando eu ia a um riacho próximo de nossa casa para trazer água para minha mãe. Eu bebia a água diretamente do riacho. Brincando em volta das folhas de araruta, eu tentava em vão pegar cordões de ovos de sapo, acreditando que fossem colares. Mas toda vez que eu colocava meu dedo por baixo deles, eles quebravam. Depois, eu vi milhares de girinos: pretos, energéticos e serpenteando nas claras águas contra o fundo areia marrom. Este é o mundo eu herdei de meus pais. Hoje, quase 50 anos depois, o riacho está seco, as mulheres caminham longas distâncias à busca da água, que nem sempre é limpa, e as crianças nunca saberão o que elas perderam. O desafio é restaurar o lar dos girinos e devolver às nossas crianças o mundo de beleza e esplendor.
Tradução: Professor Paulo Jorge e Eli Medeiros
Prof. Paulo Jorge dos Santos.Jorn., Grafólogo,Prof. e Ambientalista, Pós Graduado em Adm.Legisl.P.UNISUL, Membro do Col. Est. e Nac.de meio Ambiente do PT, F. Mineiro de Agenda 21, Membro da Coord.Est.de Comb.ao Racismo do PTMG, Coord. Reg. Met.de Comb.ao Racismo da RMBH do PTMG. Membro dos Comitês de Bacias dos Rios Pará e São Francisco. Palestrante Em Faculdades e Órgãos Públicos Com Ações e Consultorias Em Dir. Humanos Étnicos e Ambientais.
terça-feira, abril 06, 2010
Recomendação de Agenda Ambiental na Administração Pública
O que é o Programa Agenda Ambiental na Administração Pública?
A sobrevivência das organizações públicas ou privadas estará assentada - sem a menor dúvida - na nossa capacidade de atualizar o seu modelo de gestão, adequando-o ao contexto da sustentabilidade. Esse contexto envolve a inserção de critérios ambientais e sociais, mas é sobretudo uma ambiência nova, um modo de perceber as relações coletivas dentro de um constante aprimoramento da qualidade de vida do trabalhador, sua saúde e bem-estar. O momento em que vivemos é de correção de hábitos de desperdício e desatenção. Há a necessidade de motivar os servidores públicos para estarem abertos a mudanças nos procedimentos administrativos. Essa abertura requer a participação de profissionais de todas as áreas, independentemente de cargo ou grau de responsabilidade, em um processo que deve ser encarado com naturalidade e maturidade, pois além de muito dinâmico, está voltado para as exigências da sociedade e sua economia de mercado.
O programa Agenda Ambiental na Administração Pública, identificado como A3P, é, nesta perspectiva, uma ação de caráter voluntário, que pretende induzir a adoção de um modelo de gestão pública que corrija e diminua impactos negativos gerados durante a jornada de trabalho. O meio de conseguir isso é o uso eficiente dos recursos naturais, materiais, financeiros e humanos. Este programa vêm sendo coordenado pela Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável e tem levado sua experiência aos órgãos governamentais, nos três níveis de governo, mediante solicitação dos interessados.
Qual o objetivo do A3P?
Muitas organizações e instituições governamentais ou não-governamentais têm construído agendas ambientais e agendas 21. Nesse processo, pensar sobre o meio ambiente e suas interfaces eqüivale a desenvolver um plano de ações que contemple as possibilidades de execução de cada instituição. Na avaliação das implicações ambientais, não se pode esquecer que o homem é o integrante diferencial do meio ambiente - que, na prática é um todo formado por partes igualmente complexas, geralmente frágeis e passivas.
Numa perspectiva mais ampla, à A3P soma-se a toda instituição que já se moveu no sentido de que é preciso repensar sua posição diante das ações que vem sendo realizadas antecipadamente pela iniciativa privada. Antes de desencadear uma ação dessa natureza, é preciso que seja estabelecido um processo metodológico básico, contínuo, capaz de orientar as etapas, desde a sua concepção até a implementação das ações e sua manutenção. Conheça como o Ministério do Meio Ambiente - MMA vem construindo a sua Agenda Ambiental, visando a melhoria das relações com o ambiente, em suas atividades diárias, e das relações interpessoais entre os servidores.
Histórico O Programa Nacional de Educação Ambiental, elaborado e aprovado pelo MMA em 1999, previa a construção de agendas ambientais por um processo participativo que possibilite o aprendizado das questões ambientais. Aqui entra a reflexão de cada ser humano para criar uma fase transitória entre o velho e o novo paradigma.
Com o resgate de valores esquecidos e a adoção de novos seremos capazes de mudar comportamentos, hábitos e atitudes, visando a vida saudável da geração presente e o não comprometimento da boa qualidade para as gerações futuras.
Em agosto de 1999, o MMA criou a Comissão Permanente, composta por representantes de suas unidades, incluindo o Ibama, além de um representante do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. Essa comissão, juntamente com os demais servidores voluntários, identificou problemas e propôs ações básicas para solucioná-los, de um modo contínuo, que sempre se renova.
Da mesma forma, cada representante de unidade ficou responsável por procedimentos que considerassem peculiares à ambiência de suas unidades, num processo de multiplicação e incorporação atitudes próprias e saudáveis. A partir de setembro de 2000, o Programa A3P passou a ser incluído nas ações de competência da Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável, que estabelece a ligação com as ações administrativas que buscam a ecoeficiência governamental. o período de 1999/2000, 16 reuniões visaram distribuir tarefas, realizar diagnósticos, colher sugestões junto aos servidores, caracterizar e quantificar os resíduos gerados e identificar materiais alternativos. Visaram ainda avaliar a inclusão de critérios ambientais nos processos licitatórios, dando preferência aos parceiros com os mesmos princípios ambientais. Mais: estabelecer novas formas de sensibilização e motivação dos servidores, elaboração de materiais didático-pedagógicos, informativos, e a promoção de eventos para uma troca descontraída de informações. Foram utilizados os seguintes meios de divulgação:
a) notas no informativo diário do MMA - InforMMA, inclusive pela internet
b) atividades do grupo de teatro da Diretoria de Educação Ambiental,
c) exposição/balanço dos trabalhos realizados pela Comissão Permanente,
d) Iniciado o processo de gestão ambiental, enfocando a gestão dos resíduos gerados e o uso racional de insumos, a partir de princípios ambientalmente corretos.
Metodologia
Este processo-piloto de construção da Agenda Ambiental utiliza metodologia que inclui aspectos lúdicos (manifestações artísticas) ao lado de novos processos administrativos, e que poderão ser disponibilizado para outros interessados, instituições governamentais ou ONGs.
Conheça detalhes da primeira etapa de trabalho da Comissão Permanente do MMA na implementação da sua Agenda Ambiental, que ouviu sugestões encaminhadas pelos servidores. Apresentamos a seguir os "Primeiros Passos" em direção à melhoria do desempenho ambiental das atividades deste Ministério, bem como da qualidade das relações humanas.
Resumo dos "Primeiros Passos"
• Realizada a Série Vídeo, Módulos I e II, para os prestadores de serviços gerais,
• Implantada a Campanha Brasília Recicla de coleta Seletiva de Papel (em média 1200 Quilos por mês) e vidro,
• Colocado um PEV (Ponto de Entrega Voluntária) para coleta seletiva de Vidro (média de 300kg a cada 2 meses),
• Implantado programa de redução do consumo de papel ( 10 % de redução),
• Distribuídos aos servidores copos de vidros com a logomarca da Campanha Brasília Recicla, em substituição aos copos descartáveis,
• Programa de sensibilização, tendo o teatro e outras atividades lúdicas como forma de mobilização e difusão de informações sobre a Agenda Ambiental e o Programa,
• Apresentados aos servidores os dados e informações sobre os "Primeiros Passos" previstos na Agenda Ambiental - em dezembro/99,
• Exposição de artes com material alternativo "A arte do Lixo", visando implantar as "Oficinas de Talentos",
• Estimulada a Campanha do Bloco: aproveitamento de papéis com um lado ainda branco para a confecção de blocos de rascunho,
• Substituídas as torneiras tradicionais por torneiras com temporizador e instaladas válvulas automáticas nos lavatórios masculinos,
• Aprimorado do programa de manutenção de ar condicionado,
• Realizado Curso de Formação de Brigadas de Incêndio,
• Interrompido o acesso de pedestres nas passarelas adjacentes ao prédio, por questões de seguranças',
• Substituídos os carpetes por pisos paviflex,
• Realizada as Oficinas de Talentos - arte como sensibilização,
• Oferecidos os Cursos de Caixas Ecológicas e Arte em Jornal (março-julho/2000),
• Apresentado o Programa A3P durante a reunião do Comitê Nacional de Desburocratização junho/2000,
• Realizada a exposição em comemoração ao Dia Internacional do Meio Ambiente, sobre ações de meio ambiente nas escolas públicas e particulares(junho/2000),
• Adequados e saneados os espaços destinados à passagem das linhas de distribuição de água,
• Realizada exposição de objetos de arte (luminárias) confeccionadas com materiais naturais,
• Implantada a coleta seletiva de copos descartáveis usados (novembro/2000),
• Realizada a adaptação dos lavatórios masculino e feminino (térreo), para pessoas que necessitam e cuidados especiais,
• Realizado o I Fórum das Agendas Ambientais Institucionais (dezembro/2000),
• Estabelecida a parceria com a Prefeitura de Palmas para implantação da Agenda Ambiental na Administração Pública naquele Município,
• Realizada "Oficina de Talentos" e Palestra sobre A3P no Ministério da Saúde,
• Realizada palestra sobre o tratamento de lâmpadas fluorescente usadas.
Considerações
• As ações constantes da agenda levaram ainda em consideração os diagnósticos e levantamento realizados pela Comissão, elaborados no sentido de nortear as demandas na área administrativa e comportamental.
• Estes dados permitiram também definir,além do perfil dos funcionários - independente de suas funções (administrativo, técnico, prestador de serviços, segurança e recepção) - as características de cada setor, de suas responsabilidades, comprometimento e competências.
• O trabalho com base em números permite, juntamente com a área administrativa, elaborar programas de redução específicos, estabelecendo metas quantificáveis a serem realizadas e o custo envolvido para a realização do conjunto de ações.
• É essencial, no entanto, que seja dado grande ênfase ao processo de sensibilização voltado aos responsáveis pelo setor de compras e o de distribuição de materiais.
• Os cursos e treinamentos realizados na área de recursos humanos permitiram a convivência entre colegas e servidores, incluindo ações lúdicas realizadas, assim como através dos cursos específicoos para os prestadores de serviços Gerais Série Vídeo I e II, Cursos de Formação de Brigadas, Oficinas de Talentos ou ainda entre os membros da Comissão e seus respectivos colegas.
• Este trabalho deve ser aprofundado pois o processo de mobilização e mudança de hábitos é lento e requer persistência
terça-feira, março 23, 2010
Água. Centro Mineiro de Resíduos promove vários eventos

De 23 a 26 de março o Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR) promove uma série de eventos ligando a gestão de resíduos à questões relacionadas a água. O CMRR na Semana da Água 2010 faz parte da Semana da Água promovida pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema).
Nestes quatro dias o Centro irá concentrar atividades e reuniões importantes ligadas ao seu objetivo institucional, que é trabalhar a gestão de resíduos com enfoque social, aliando a questão da geração de emprego e renda e neste contexto discutindo também a poluição da água.
Nos dias 23 e 24 de março serão reunidos representantes de catadores e técnicos de mais de 140 prefeituras para juntos discutirem sobre a Política Estadual de Resíduos e como essa política pode contribuir para apoiar o a atividade desses trabalhadores.
No encerramento do 1º Encontro Estadual de Catadores será feita a entrega de equipamentos para 56 prefeituras. O maquinário é para melhoria das condições de trabalho dos agentes municipais e catadores que atuam na coleta seletiva nos municípios contemplados.
Os vencedores do 2º Prêmio Minas Sem Lixões, Barão dos Cocais, Belo Horizonte e Ibirité, irão receber a premiação também durante o encerramento do Encontro.
Dia 25 o CMRR promove mais um evento da Série Diálogos CMRR, o tema a ser trabalhado é o "Panorama dos Resíduos da Construção e Demolição". O objetivo é apresentar e discutir processos inovadores que buscam solucionar os impactos dos resíduos da construção e demolição.
Para encerrar a Semana, no dia 26, será feita a entrega dos certificados de mais uma turma do curso de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. Esta já é a 4ª turma formada pelo CMRR em 2010.
Encontro Estadual de Catadores
Nos dias 23 e 24 de março acontece no CMRR o 1º Encontro Estadual de Catadores, que reunirá representantes dos catadores, do Estado e de prefeituras para discutir a inclusão dos catadores no processo de implantação da coleta seletiva no Estado, além de abordar temas ligados à alternativas para geração de trabalho e renda.
O encontro é mais um espaço de diálogo entre os governos e o Movimento Nacional de Catadores de Recicláveis (MNCR), que tem por objetivo final o fortalecimento da atividade dos catadores e ainda a consolidação da política de apoio e articulação junto a esses trabalhadores.
Para participar do Encontro Estadual de Catadores é preciso se inscrever, por meio do site www.cmrr.mg.gov.br ou pelo telefone (31) 3465-1211.
sábado, março 20, 2010
A ASCENSÃO ECONÔMICA E POLÍTICA DOS NEGROS E DOS POBRES.
*Professor Paulo Jorge dos Santos
De acordo com a história, o Brasil já foi oficialmente racista. E, mesmo depois da Abolição, muitas teses pseudocientíficas quiseram sustentar a superioridade dos brancos. Duraram, em circuito comercial, até os anos 30. Tinham por base literatura social e idéias políticas européias. Com a derrota do nazi-fascismo, contudo, tiveram que circular só à boca pequena, embora até hoje elas existam, mas ninguém tem voragem de falar sobre por causa das vitórias do movimento social negro em relação ao racismo explicito. Hoje ele existe é e fortemente defendido pela hipocrisia da sociedade, que o faz covardemente velado.
Na América do Sul, esse tema é importante no Brasil e na Argentina, nos quais o afluxo de europeus no final do século XIX foi intenso. A própria questão da modernização teve componentes raciais. Na Argentina, defendia-se o branqueamento pela imposição do europeu sobre os mestiços nativos – e isso coincidia com o poder central de Buenos Aires contra os caudilhos dos pampas. Raça, idéias, institucionalização, riqueza: o alinhamento era explicitamente defendido pelos principais intelectuais.
No Brasil, a tese do branqueamento modernizador teve menos defensores – e com peso intelectual menor. Mas eles não o fizeram menos explicitamente; e tiveram influência tanto em governos quanto em partidos e movimentos.
Tais formulações abrigavam outro preconceito: contra os pobres. Você está horrorizado de imaginar que isso existe no Brasil. Você não vê diferença entre raças e classes sociais. Nem seus amigos. Ninguém que você conheça. Mas é verdade. Falam-se cruamente contra pardos, pretos e pobres. A aversão à pele está ligada à aversão à renda, aos modos, às roupas, ao aspecto físico. Regras sociais separam os ambientes. Preços, etiquetas e arquiteturas isolam as classes. Brancos e ricos com seus espelhos reluzentes. Pobres e negros com seus antolhos opacos.
A exploração econômica, a dominação social e o poder político têm tudo a ver com isso, conforme se lia nos bê-á-bás considerados subversivos de então. Não se espante. O movimento negro quis mudar nosso belo quadro social. E por isso muitos foram parar na Central, no hospital ou no xadrez e nunca mais foi encontrada.
Mas Inês é morta. Você acha que não vale a pena revirar o passado. Você fala sobre a miscigenação brasileira, a convivência entre ricos e pobres e até sobre o fato de que nem há tantos pobres assim. Enxugando os lábios com as costas da mão, chega perto e sussurra: tem muito é vagabundo! Mas que ninguém o ouça, não é mesmo?
Como uma branco dizia, já fomos abertamente racistas e preconceituosos. Houve miscigenação, ascensão social, certa mistura de modos e padrões, mas só até o ponto em que a dominação, a exploração e o poder não fossem incomodados. Muitos brancos e ricos defendiam isso em voz alta. Hoje, quando, felizmente, aquelas são posturas proibidas e execradas; quando as classes baixas vêem sua parca renda crescer um pouco e freqüentam shoppings, restaurantes e shows sem muitos constrangimentos; quando muitos de nós, os negros e pobres podemos cursar faculdades duvidosas (como os produtos dos shoppings, restaurantes e shows); quando vemos nosso irmãos nas ruas, com suas roupas, seus modos, sua aparência, seus carros baratos, sua sem-cerimônia – pois bem, os brancos e ricos ficam intimidados, olham-se em frente às lojas procurando uma auto-imagem reluzente, sussurram que o ambiente decaiu, abanam – se ninguém estiver olhando – a mão na frente do nariz, e defendem, à boca pequena, maior separação, maior demarcação.
Econômica e politicamente, a ascensão dos negros e pobres tem relação com a reeleição e a popularidade crescente de Lula. Os brancos e ricos que não aceitam isso; que não vêem em Lula refletida a sua imagem; que não suportam sua aparência, sua história, sua fala; que não concordam com essa invasão de ambientes e arquiteturas sem respeito aos preços e às etiquetas, procuram meios de criar maior demarcação. Vão para outros bairros; para o exterior; escrevem revistas e blogs como que abanando o nariz e sussurrando contra a “vagabundagem” do Bolsa-Família e o acinte dos aumentos salariais. Alguns até relêem os abecedários que consideram subversivos, para lembrar como é que era essa história de ameaçar o poder, a dominação e a exploração.
Você não. Você sempre foi a favor dos pardos, pobres e pretos. Tem até amigos pobres, pardos e pretos. Você não. Tem tudo isso desde que, não queiram nunca namorar com sua filha ou filho, jamais queria candidatar-se a um cargo político e que sempre esteja disposto a te apoiar em nome de uma leizinha sem importância ou mesmo um apoiozinho que possa te garantir apoio dessa gente que é preta e pobre, mais é a maioria, nas favelas, na pobreza e, sobretudo, nas urnas. E por isso eles sofrem para garantir a faculdade federal de seu filho, sua passagem internacional sem ônus e toda a mordomia que seu cargo e sua situação social permite.
Por isso estamos fazendo uma campanha... E em 2010 não vote em corrente ou em partido somente, mas vote em candidatos negros e comprometidos com a nossa causa para que deixemos de ser ratos de laboratório dessa sociedade que somente nos usa para enfeitar campanhas políticas e buscar o voto onde eles tem nojo de ir.
Precisamos mudar a correlação de força nas casas legislativas para aprovar o estatuto da igualdade racial, alem de outras tantas agendas de interesse de nosso povo, tais como; - Avaliação do Plano de Ação de Durbham; - A PL 4887 – Titulação e demarcação de Terras Quilombolas; - A Lei 10639 – Historia do nosso povo e a sua importante participação na construção da sociedade braseira; - As Cotas Raciais – acesso e democratização com qualificação do ensino público superior dos pais. - A Política Nacional de Atenção a População negra; garantia do tratamento das nossas especificidades; - a relação internacional Brasil África; - Criação de vários mecanismos municipais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial através das prefeituras do interior, inclusive com administração petista; Todo isso precisa ser prioridade de luta dos nossos representantes, que não são esses. Você sonha ou acredita que os que ai estão o farão? Esse congresso racista patrocinado por grandes empreiteiras, madeireiras, empresas de transporte, capital financeiro, ruralistas e grileiros que ai está?De jeito nenhum. Podem tirar o cavalinho da chuva ,como dizia minha avó.precisamos colocar gente nossa nas Assembléias Legislativas e no congresso nacional para que o senador Paulo Pain não seja somente um don Quixote utópico que apanha de todos os lados por defender a causa dos pobres e negros e que não tenhamos que ficar sempre batendo palmas para deputados oportunistas que usam de nossa mobilização para aparecer.
Professor Paulo Jorge dos Santos Jornalista Diplomado, Grafólogo, Professor e Ambientalista, Pós Graduado em Administração legislativa Pela UNISUL, Membro do Coletivo Estadual e Nacional de meio Ambiente do PT, Fórum Mineiro de Agenda 21, Membro da Coordenação Estadual de Combate ao Racismo do PTMG, Coordenador Regional Metropolitano de Combate Ao Racismo da RMBH do PTMG. Membro dos Comitês de Bacias do dos Rios Pará E São Francisco. Palestrante Em Faculdades E Órgãos Públicos Com Ações E Consultorias Em Direitos Humanos Étnicos E Ambientais.E-mails. profpjds@yahoo.com.br e profpjds@hotmail.com
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De acordo com a história, o Brasil já foi oficialmente racista. E, mesmo depois da Abolição, muitas teses pseudocientíficas quiseram sustentar a superioridade dos brancos. Duraram, em circuito comercial, até os anos 30. Tinham por base literatura social e idéias políticas européias. Com a derrota do nazi-fascismo, contudo, tiveram que circular só à boca pequena, embora até hoje elas existam, mas ninguém tem voragem de falar sobre por causa das vitórias do movimento social negro em relação ao racismo explicito. Hoje ele existe é e fortemente defendido pela hipocrisia da sociedade, que o faz covardemente velado.
Na América do Sul, esse tema é importante no Brasil e na Argentina, nos quais o afluxo de europeus no final do século XIX foi intenso. A própria questão da modernização teve componentes raciais. Na Argentina, defendia-se o branqueamento pela imposição do europeu sobre os mestiços nativos – e isso coincidia com o poder central de Buenos Aires contra os caudilhos dos pampas. Raça, idéias, institucionalização, riqueza: o alinhamento era explicitamente defendido pelos principais intelectuais.
No Brasil, a tese do branqueamento modernizador teve menos defensores – e com peso intelectual menor. Mas eles não o fizeram menos explicitamente; e tiveram influência tanto em governos quanto em partidos e movimentos.
Tais formulações abrigavam outro preconceito: contra os pobres. Você está horrorizado de imaginar que isso existe no Brasil. Você não vê diferença entre raças e classes sociais. Nem seus amigos. Ninguém que você conheça. Mas é verdade. Falam-se cruamente contra pardos, pretos e pobres. A aversão à pele está ligada à aversão à renda, aos modos, às roupas, ao aspecto físico. Regras sociais separam os ambientes. Preços, etiquetas e arquiteturas isolam as classes. Brancos e ricos com seus espelhos reluzentes. Pobres e negros com seus antolhos opacos.
A exploração econômica, a dominação social e o poder político têm tudo a ver com isso, conforme se lia nos bê-á-bás considerados subversivos de então. Não se espante. O movimento negro quis mudar nosso belo quadro social. E por isso muitos foram parar na Central, no hospital ou no xadrez e nunca mais foi encontrada.
Mas Inês é morta. Você acha que não vale a pena revirar o passado. Você fala sobre a miscigenação brasileira, a convivência entre ricos e pobres e até sobre o fato de que nem há tantos pobres assim. Enxugando os lábios com as costas da mão, chega perto e sussurra: tem muito é vagabundo! Mas que ninguém o ouça, não é mesmo?
Como uma branco dizia, já fomos abertamente racistas e preconceituosos. Houve miscigenação, ascensão social, certa mistura de modos e padrões, mas só até o ponto em que a dominação, a exploração e o poder não fossem incomodados. Muitos brancos e ricos defendiam isso em voz alta. Hoje, quando, felizmente, aquelas são posturas proibidas e execradas; quando as classes baixas vêem sua parca renda crescer um pouco e freqüentam shoppings, restaurantes e shows sem muitos constrangimentos; quando muitos de nós, os negros e pobres podemos cursar faculdades duvidosas (como os produtos dos shoppings, restaurantes e shows); quando vemos nosso irmãos nas ruas, com suas roupas, seus modos, sua aparência, seus carros baratos, sua sem-cerimônia – pois bem, os brancos e ricos ficam intimidados, olham-se em frente às lojas procurando uma auto-imagem reluzente, sussurram que o ambiente decaiu, abanam – se ninguém estiver olhando – a mão na frente do nariz, e defendem, à boca pequena, maior separação, maior demarcação.
Econômica e politicamente, a ascensão dos negros e pobres tem relação com a reeleição e a popularidade crescente de Lula. Os brancos e ricos que não aceitam isso; que não vêem em Lula refletida a sua imagem; que não suportam sua aparência, sua história, sua fala; que não concordam com essa invasão de ambientes e arquiteturas sem respeito aos preços e às etiquetas, procuram meios de criar maior demarcação. Vão para outros bairros; para o exterior; escrevem revistas e blogs como que abanando o nariz e sussurrando contra a “vagabundagem” do Bolsa-Família e o acinte dos aumentos salariais. Alguns até relêem os abecedários que consideram subversivos, para lembrar como é que era essa história de ameaçar o poder, a dominação e a exploração.
Você não. Você sempre foi a favor dos pardos, pobres e pretos. Tem até amigos pobres, pardos e pretos. Você não. Tem tudo isso desde que, não queiram nunca namorar com sua filha ou filho, jamais queria candidatar-se a um cargo político e que sempre esteja disposto a te apoiar em nome de uma leizinha sem importância ou mesmo um apoiozinho que possa te garantir apoio dessa gente que é preta e pobre, mais é a maioria, nas favelas, na pobreza e, sobretudo, nas urnas. E por isso eles sofrem para garantir a faculdade federal de seu filho, sua passagem internacional sem ônus e toda a mordomia que seu cargo e sua situação social permite.
Por isso estamos fazendo uma campanha... E em 2010 não vote em corrente ou em partido somente, mas vote em candidatos negros e comprometidos com a nossa causa para que deixemos de ser ratos de laboratório dessa sociedade que somente nos usa para enfeitar campanhas políticas e buscar o voto onde eles tem nojo de ir.
Precisamos mudar a correlação de força nas casas legislativas para aprovar o estatuto da igualdade racial, alem de outras tantas agendas de interesse de nosso povo, tais como; - Avaliação do Plano de Ação de Durbham; - A PL 4887 – Titulação e demarcação de Terras Quilombolas; - A Lei 10639 – Historia do nosso povo e a sua importante participação na construção da sociedade braseira; - As Cotas Raciais – acesso e democratização com qualificação do ensino público superior dos pais. - A Política Nacional de Atenção a População negra; garantia do tratamento das nossas especificidades; - a relação internacional Brasil África; - Criação de vários mecanismos municipais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial através das prefeituras do interior, inclusive com administração petista; Todo isso precisa ser prioridade de luta dos nossos representantes, que não são esses. Você sonha ou acredita que os que ai estão o farão? Esse congresso racista patrocinado por grandes empreiteiras, madeireiras, empresas de transporte, capital financeiro, ruralistas e grileiros que ai está?De jeito nenhum. Podem tirar o cavalinho da chuva ,como dizia minha avó.precisamos colocar gente nossa nas Assembléias Legislativas e no congresso nacional para que o senador Paulo Pain não seja somente um don Quixote utópico que apanha de todos os lados por defender a causa dos pobres e negros e que não tenhamos que ficar sempre batendo palmas para deputados oportunistas que usam de nossa mobilização para aparecer.
Professor Paulo Jorge dos Santos Jornalista Diplomado, Grafólogo, Professor e Ambientalista, Pós Graduado em Administração legislativa Pela UNISUL, Membro do Coletivo Estadual e Nacional de meio Ambiente do PT, Fórum Mineiro de Agenda 21, Membro da Coordenação Estadual de Combate ao Racismo do PTMG, Coordenador Regional Metropolitano de Combate Ao Racismo da RMBH do PTMG. Membro dos Comitês de Bacias do dos Rios Pará E São Francisco. Palestrante Em Faculdades E Órgãos Públicos Com Ações E Consultorias Em Direitos Humanos Étnicos E Ambientais.E-mails. profpjds@yahoo.com.br e profpjds@hotmail.com
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sexta-feira, março 19, 2010
O polêmico governador do Rio fez escola com Arruda e chora pelo petróleo que não é dele.
A quem pertencem os royalties, afinal?
A aprovação da emenda do deputado Ibsen Pinheiro redistribuindo os royalties do petróleo por intermédio dos fundos de participação dos Estados e municípios abriu um importante debate: a quem pertencem esses recursos? De um lado, a maioria dos deputados expressou por meio do seu voto o sentimento de que o petróleo, sobretudo aquele extraído do alto-mar, é de todos os brasileiros e, por isso, sua renda deve ser repartida de forma "igualitária" entre todas as unidades da Federação. Por outro lado, o governador do Rio de Janeiro, aquele eu baixou um decreto anti ecológico ,so para beneficiar o Luciano huck, reagiu como se estivesse sendo roubado, já que hoje seu Estado (incluindo municípios) é beneficiário de 75% dos royalties descentralizados.
Alegam os governantes do Rio que os royalties devem servir para compensar os Estados produtores e que, portanto, nada mais justo que o governo fluminense receba a maior fatia. Esse argumento poderia ser considerado válido se o petróleo que gera os royalties estivesse sendo produzido nos limites territoriais do Estado do Rio. Mas não é. Mais de 95% do petróleo e do gás brasileiros são oriundos de plataformas localizadas a mais de 100 milhas da costa, de domínio da União.
Por uma peculiaridade da Constituição brasileira em comparação com outras federações, mesmo o petróleo extraído em terra é patrimônio da União, mas nesse caso ao menos podemos falar em Estado e município produtor e em direito a receber uma compensação financeira. Aliás, é interessante assinalar que a Agência Nacional de Petróleo não registra qualquer produção em terras fluminenses.
Como é que o Rio de Janeiro conquistou então o direito de receber a maior parcela dos royalties? A Constituição, a mesma que diz ser da União (e não do Rio) todas as jazidas de petróleo, concede o direito à compensação a Estados e municípios, delegando a leis ordinárias a definição da fatia e dos critérios a serem adotados na distribuição descentralizada. Foram essas leis ordinárias que consolidaram um sistema de distribuição dos royalties de mar baseado principalmente no conceito de área de "confrontação" com campos de petróleo, segundo linhas traçadas pelo IBGE para dividir a plataforma continental entre Estados e municípios. Esse critério de distribuição é um caso raro no mundo e causou espanto e preocupação entre especialistas reunidos em conferência do Banco Mundial, em Washington.
Mesmo em federações descentralizadas, como a canadense, os recursos do petróleo extraído a mais de 10 ou 12 milhas da costa são apenas do governo central. Além de raro, esse critério é irracional do ponto de vista socioeconômico, porque não compensa os Estados e municípios de acordo com os impactos que sofrem da atividade petrolífera, mas com base apenas na sorte geográfica de estar no litoral e possuir um formato de costa que lhe garanta uma área de confrontação generosa.Talvez a aprovação da emenda Ibsen contribua para que o Senado faça uma discussão técnica mais séria e produza critérios de distribuição mais racionais, bem como regras de transição para viabilizar as mudanças, inclusive na partilha dos atuais royalties sob regime de concessão. O Rio de Janeiro pode até receber uma fatia especial dos recursos, mas não porque o petróleo lhe pertence e nem na proporção atual.
Por fim, é preciso considerar que a descentralização das receitas amplia os riscos econômicos, principalmente em contexto de alta volatilidade dos preços, já que a tendência dos governantes beneficiados por royalties é gastar muito nos anos de bonança e relaxar na arrecadação de impostos. Isso exige que se criem regras especiais que limitem os gastos e forcem a geração de poupança para os anos de queda nos preços de petróleo.
A aprovação da emenda do deputado Ibsen Pinheiro redistribuindo os royalties do petróleo por intermédio dos fundos de participação dos Estados e municípios abriu um importante debate: a quem pertencem esses recursos? De um lado, a maioria dos deputados expressou por meio do seu voto o sentimento de que o petróleo, sobretudo aquele extraído do alto-mar, é de todos os brasileiros e, por isso, sua renda deve ser repartida de forma "igualitária" entre todas as unidades da Federação. Por outro lado, o governador do Rio de Janeiro, aquele eu baixou um decreto anti ecológico ,so para beneficiar o Luciano huck, reagiu como se estivesse sendo roubado, já que hoje seu Estado (incluindo municípios) é beneficiário de 75% dos royalties descentralizados.
Alegam os governantes do Rio que os royalties devem servir para compensar os Estados produtores e que, portanto, nada mais justo que o governo fluminense receba a maior fatia. Esse argumento poderia ser considerado válido se o petróleo que gera os royalties estivesse sendo produzido nos limites territoriais do Estado do Rio. Mas não é. Mais de 95% do petróleo e do gás brasileiros são oriundos de plataformas localizadas a mais de 100 milhas da costa, de domínio da União.
Por uma peculiaridade da Constituição brasileira em comparação com outras federações, mesmo o petróleo extraído em terra é patrimônio da União, mas nesse caso ao menos podemos falar em Estado e município produtor e em direito a receber uma compensação financeira. Aliás, é interessante assinalar que a Agência Nacional de Petróleo não registra qualquer produção em terras fluminenses.
Como é que o Rio de Janeiro conquistou então o direito de receber a maior parcela dos royalties? A Constituição, a mesma que diz ser da União (e não do Rio) todas as jazidas de petróleo, concede o direito à compensação a Estados e municípios, delegando a leis ordinárias a definição da fatia e dos critérios a serem adotados na distribuição descentralizada. Foram essas leis ordinárias que consolidaram um sistema de distribuição dos royalties de mar baseado principalmente no conceito de área de "confrontação" com campos de petróleo, segundo linhas traçadas pelo IBGE para dividir a plataforma continental entre Estados e municípios. Esse critério de distribuição é um caso raro no mundo e causou espanto e preocupação entre especialistas reunidos em conferência do Banco Mundial, em Washington.
Mesmo em federações descentralizadas, como a canadense, os recursos do petróleo extraído a mais de 10 ou 12 milhas da costa são apenas do governo central. Além de raro, esse critério é irracional do ponto de vista socioeconômico, porque não compensa os Estados e municípios de acordo com os impactos que sofrem da atividade petrolífera, mas com base apenas na sorte geográfica de estar no litoral e possuir um formato de costa que lhe garanta uma área de confrontação generosa.Talvez a aprovação da emenda Ibsen contribua para que o Senado faça uma discussão técnica mais séria e produza critérios de distribuição mais racionais, bem como regras de transição para viabilizar as mudanças, inclusive na partilha dos atuais royalties sob regime de concessão. O Rio de Janeiro pode até receber uma fatia especial dos recursos, mas não porque o petróleo lhe pertence e nem na proporção atual.
Por fim, é preciso considerar que a descentralização das receitas amplia os riscos econômicos, principalmente em contexto de alta volatilidade dos preços, já que a tendência dos governantes beneficiados por royalties é gastar muito nos anos de bonança e relaxar na arrecadação de impostos. Isso exige que se criem regras especiais que limitem os gastos e forcem a geração de poupança para os anos de queda nos preços de petróleo.
quinta-feira, março 11, 2010
Explicando a história da diáspora Africana

Falar que a população negra é sempre a mais prejudicada pela política adotada pelos sucessivos governos ao longo dos quinhentos e poucos anos do Brasil pós-colonização, é o mesmo que chover no molhado. Não vou falar da forma que vieram nos chamados navios negreiros, de como eram tratados como mercadoria, que eram considerados animais, ou até como brinquedinhos sexuais, nas mãos de psicopatas em surto de ignorância política e humanitária e em flagrante desrespeito aos Direitos Humanos. Isso ficou para trás. Naquela época os negros viviam nas chamadas senzalas, que eram pequenas acomodações ao redor ou debaixo das casas dos brancos, onde os negros ficavam durante a noite até que o dia clareasse e estes retornassem ao angustiante trabalho diário. Existiam as moradas dos patrões que eram conhecidas como casa grande esbanjando luxo, patrocinadas pela exploração do trabalho escravo, que patrocinava tal luxo e contraditoriamente vivia em pequeno espaço sem qualquer estrutura básica, algo mais parecido com moradia de animais. Aliás, era assim que a podre sociedade tratava o ser humano da raça negra. Por muitas vezes, as acomodações eram invadidas pelos capitães do mato, capatazes e até de senhores "patrões" em busca de escravos fugidos e ou de divertimento sexual, mediante estupro das mulheres negras, que eram chamadas pelos estupradores de mulas (com referencia à fêmea do burro, animal de carga e de grande dote sexual). Daí veio à palavra mulata. Tal apelido é uma forma de marcar o maior produto que o Brasil exporta (prostituição da mulher para o incremento do turismo sexual) e que muitos incautos aplaudem por ignorarem tal significado. Também não falarei sobre aqueles negros que eram conhecidos como mornos, por serem masculino,mas com o comportamento sexual feminino e, ao invés de serem respeitados em suas opções sexuais, eram castrados e colocados como guardiões domésticos, já que, pelo seu comportamento sexual diferente dos padrões normais, não significavam "perigo" as donas da casa. Tomavam conta de sua patroa e as defendia até com a vida se preciso fosse. Da palavra morno, com o passar do tempo, derivou o que ainda chamamos morenos. Como ficavam em casa ao abrigo da luz estes não eram queimados diretamente pelo sol e conseqüentemente eram um pouco mais claros. Isso causava grande discriminação entre os mestiços pela sua pele um pouco menos queimadas ou natural. Os que trabalhavam na roça eram mais negros e mais machos. Também não precisa dizer que com a chegada dos imigrantes europeus, ávidos de riquezas e com a disposição de disputar mercado com os brasileiros inaugurando a era do consumo, os donos do poder no Brasil precisaram modificar a estrutura econômica e o modo de produção vigente (escravocrata), para que houvessem compradores para as bugigangas internacionais. E como escravo não recebia salário, não tinha dinheiro e conseqüentemente não tinha como comprar quinquilharias. Naturalmente o imigrante, por ser mão de obra "qualificada", não ia querer trabalhar de graça e por já ter conhecido a luxuria, precisava de emprego para produzir riqueza, enviar para seus países de origem e ou consumir mais. Assim, depois de muita pressão internacional e muita lei inócua, tais como a de ventre livre e sexagenário, o Brasil foi o ultimo pais a decretar o fim da escravidão institucionalizada - “no papel”. Porem, depois de trezentos oitenta e oito anos, seis meses, e vinte e dois dias de escravidão oficializada esses trabalhadores forçados ou escravos, como queiram, foram despejados de suas senzalas e jogados como se fossem uns papéis sujos, atirados ao lixo. Saíram sem sequer uma indenização. Muitos estavam doentes, loucos e desorientados sem a mínima noção do que seja liberdade, como um pássaro que nasceu e viveu na gaiola e não sabe voar. Mas, para aonde? Uma vez que, que seus antigos exploradores se negavam, por orgulho e egoísmo a pagar lhes algum salário! Engraçado, quando trabalhavam gratuitamente, de baixo de castigo e até a morte, serviam, mas quando tinham que receber pelo serviço a prestar, os donos do modo de produção não os achava dignos de salário. Muitos morreram assassinados, outros trocavam a liberdade pelo trabalho gratuito, visando garantir escassa comida, outros começaram a assaltar aos que passavam endinheirados, outros foram Brasil adentro sendo mortos por bichos selvagens e posteriormente por invasores brancos. Outros, os mais resistentes, ficavam por ali mais próximos dos centros comerciais, ou povoados, formando assim, as tão conhecidas favelas. Os que foram Brasil adentro e não morreram, criaram os quilombos, que à medida que a civilização chegava eram empurrados a margem das sociedades e perdendo suas terras para os chamados coronéis, políticos e ou fazendeiros desonestos.
O tempo foi passando e essa população só foi acumulando perdas.
Mas é importante, devo e quero falar que por causa da injustiça histórica a que nosso povo tem passado, somos a maioria de analfabetos, desempregados, marginalizados encarcerados e pobres deste País, que é um dos campeões mundiais em racismo e desigualdades sociais. Segundo Paulo Augusto dos Santos (Paulão), o único vereador assumidamente negro que tivemos na câmara municipal de Belo Horizonte, diga se de passagem, 69% dos negros ou pardos são indigentes. E indigentes são aqueles que estão abaixo da linha da pobreza com salário abaixo de oitenta reais mensais. Enquanto a rede globo e os meios de comunicação de massa em geral desfilam atores, empresários deputados, vereadores, chiques e famosos em geral em suas telas, a maioria descendente de europeus ou dominadores outros, nós os descendentes de africanos estamos nas favelas, cadeias, periferia aspirando o ar infecto do esgoto a céu aberto ou dos lixões, onde os restos, a extensão, a casca ou o retrato dessa sociedade egoísta e glutona são depositados para deteriorarem - se, a exemplo de sua moral. Os miseráveis ficam esperando a boa vontade daqueles que nasceram em berço de ouro, poluem os rios, sujam as cidades, mas descansam em suas fazendas latifundiárias ao redor da piscina tomando suco natural. Para fazer uma pesquisa social genealógica, estudemos a origem familiar daqueles que possuem grandes fortunas. Todos possuem descendência de dominadores, europeus ou não. Agora, o oposto tem origem na tão injustiçada, explorada e vilipendiada África. Enquanto os imigrantes surrupiavam o dinheiro das Américas para enriquecer o velho mundo, os braços fortes que vieram da África eram explorados no alem mar e sendo sugados como uma laranja, que depois de chupada é somente um bagaço. Fez da África e dos africanos o bagaço da civilização. Só que no bagaço havia sementes, que germinou nesta e em outras terras, donde foi jogada ou abandonada. Cresceram regadas pelo suor sangue e lágrimas dos nossos bravos e atuais antepassados. O povo negro, com a ajuda de Deus e a benção dos Órixás, tem a sua peculiar fertilidade e a força dos justos tem crescido e resistido a tudo e a toda forma de discriminação a que tem sido submetida ao longo desses séculos de terror e corrupção históricos.
Hoje, após 122 anos da lei áurea, lei que só tinha um único artigo e que deixou nosso povo sem garantia alguma, empurrando os à marginalidade, pobreza e a miséria, estamos questionando o porque da obrigatoriedade de sentir agradecido pelo gesto de uma pessoa que estava na hora e local apropriado e , como qualquer populista, usou o momento para sua promoção pessoal, considerando que não era mais rentável o regime de escravidão e que para a economia da época já não era mais interessante, a santa do pau oco entrou para historia como a grande redentora dos escravos. Quanta demagogia! O tempo em que sua família dominou o País e conseqüentemente usou e explorou da mão de obra escrava onde a redentora estava? Se tivesse considerando tal advento teria uma ótima oportunidade de ser realmente a redentora, dando uma indenização em dinheiro ou em terás a todos os seus escravos e decretando para seus súditos a obrigatoriedade de fazerem o mesmo. Isso sim, seria divino.
Hoje lutamos pela sobrevivência no bojo das favelas e periferias, fugindo de tiroteios, repressão policial, miséria e injustiça. Porém, como deixamos de ser brancos para sermos francos, queremos reparação. Temos o direito, no mínimo de exigir que os governos olhem para o nosso povo e tentem diminuir as injustiças históricas que tem prejudicado tanto esse povo que não pediu para aqui estar. O primeiro passo é implementar de uma forma verdadeira e institucionalmente as cotas, que não são tudo, mas é uma forma de tentar equilibrar essa balança, que só tem pendido para um lado, sendo desfavorável para a População Negra. Políticas universalistas são coisas racistas, esquizofrênicas e de quem não quer nada fazer. Precisamos de uma discriminação positiva para polemizar com atos positivos. Muitos dizem que criar cotas e desvalorizar o povo negro. Quanta ignorância e medo de perder o poder. Discriminar é negar o direito da mobilidade social. Alem das cotas, precisamos pesquisar as doenças que mais atingem a população negra, tal com, miomas, anemia falciforme, câncer de fígado e pâncreas, entre outras, mais comuns nas pessoas que não possuem acesso a saneamento básico e tratamentos preventivos. Temos também, que olhar para a escola pública, com todas as suas mazelas, nos ensinos fundamental e médio, pois, não adianta ter cotas na universidade se somente 3% de pobres terminam o ensino. Muita gente precisa abandonar os estudos por diversos fatores inerentes a miséria tais como, necessidade de trabalho para garantir sustento de sua família, discriminação em sala de aula e gravidez na adolescência entre outras mazelas do jovem e adolescente e ou pobre.
É preciso urgentemente de políticas de acompanhamentos de crianças e jovens . Um trabalho que tenha eficácia em um momento em que o jovem precisa se auto afirmar e o estado sempre vira as costas ao cidadão ao passo que a corrupção e o trafico de drogas o seduz com a ilusão do ganho fácil. Como vê, ninguém melhor de que quem sente na pele sabe o que é melhor para nós. Precisamos ter nosso espaço para que possamos trabalhar pelo bem comum dos excluídos por cor da pele ou classe social desfavorável.
Depois de calar sob todo tipo de tortura moral, material e social, não queremos mais só esperar, torcer, ouvir e aplaudir.
O povo negro quer falar!!!!!
*Professor Paulo Jorge
No mês da mulher quero chamar atenção ao fato de elas estarem fumando tantoao ponto prejudicar o orçamento doméstico pelo infame tabaco
A maioria reconhece que o hábito interfere nas contas da casa, diz pesquisa
A mulher fumante, mais do que o homem, sabe que deixa de comprar coisas importantes para casa só para sustentar o vício do tabaco.
Segundo pesquisa inédita realizada no mundo todo pelo International Tobacco Control (ITC), oito em cada dez delas admitiram que nos últimos seis meses “gastaram dinheiro com cigarro sabendo que ele poderia ser melhor empregado com outros gastos domésticos, como a compra de alimentos”.
Em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) foram entrevistadas 1.826 pessoas de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, sendo 59% mulheres. Na comparação com os homens participantes do levantamento, foi constatado que o “bolso feminino” é mais afetado do que o masculino: enquanto 80% das fumantes disseram que ajustam o orçamento de casa para satisfazer o hábito de fumar (sempre em benefício do tabaco e não da saúde), entre eles, o índice foi de 75%.
Perfil de dependência
A maior consciência de que o cigarro atrapalha nas contas domésticas não foi a única diferença estatística das mulheres no estudo feito pelo ITC Brasil. Elas, mais do que eles, sentem no corpo os efeitos do tabaco. Das pesquisadas, 44% pensam com muita frequência nos danos que o fumo pode provocar, como infarto, acidente vascular cerebral e câncer. Os homens somaram 35% neste grupo. Nas outras questões abordadas, entretanto, os sexos masculino e feminino empataram. Os padrões de dependência foram muito semelhantes: 91% afirmam ser dependentes do cigarro e 52% se dizem “muito” dependentes.
O “empate”, dizem os especialistas, é mais uma desvantagem para a mulher. Primeiro porque houve um tempo em que elas não fumavam, depois porque elas também têm mais dificuldade em parar e um terceiro motivo, lembra Cristina Perez – médica da Divisão de Tabagismo do Inca – é que o sexo feminino está no alvo das propagandas do tabaco.
“São lançados cigarros feitos para mulheres, vendidos em carteiras acompanhadas de batom e sombra”, usando da vaidade feminina como chamariz para a industria d o tabaco. “O resultado disso é que enquanto os homens estão se cuidando e banindo de vez o fumo em suas vidas, entre as meninas a parcela de fumantes aumenta, na contramão da tendência nacional, que é, de diminuição de fumantes”.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 11% dos brasileiros maiores de 15 anos fumam. Em 1989, essa população somava 33%, o que significava um fumante em cada três pessoas. Apesar da diminuição, um estudo da Universidade Federal de São Paulo mostrou que 7,6% dos garotos entre 14 e 16 anos fumam, só um ponto porcentuais acima do que o encontrado entre elas (6,7%). Na população como um todo, este mesmo índice mostra uma diferença de 10 pontos: 25% entre eles e 14% entre elas.
Garota-propaganda
A preocupação com o aumento de mulheres fumantes fez com que as autoridades de saúde fizessem políticas específicas para mulheres. No ano passado, o Inca lembrou que, além do corpo, a beleza também fica doente por causa das tragadas. Nas embalagens dos maços de cigarro, além das clássicas fotos sobre a impotência masculina e o câncer de pulmão, agora circulam imagens de mulheres com o rosto enrugado, sequela da fumaça. Não é a única resposta. Este ano, pela primeira vez, a Organização Mundial de Saúde (OMS) escolheu a mulher como foco do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em maio.
terça-feira, março 09, 2010
Um dia de Lua
HOJE É UM DIA ESPECIAL
NÃO PORQUE SEJA DIA SANTO, NEM PORQUE PODERIA SER O NATAL
TAMPOUCO PORQUE ALGUEM ACABA DE NASCER.
MAS HOJE É UM DIA ESPECIAL. UM DIA ONDE TODOS SORRIEM
E OS PASSAROS CANTAM EM LOUVOR A UMA DIVA
HOJE É UM DIA ESPECIAL
UM DIA ÚNICO,QUE TODOS SE CUMPRIMENTAM
E O MUNDO CELEBRA SUA MAIS QUERIDA CRIAÇÃO
HOJE NAO É UM DIA DE REIS, MAS DE UMA SO RAINHA.VC .
Quero aproveitar esse momento feliz de nossa grandiosa amizade, parceria e, sobretudo o ganho que o Brasil e o mundo tem tido com essas trabalhadoras, mães, amigas, professoras, mecânicas, misses, companheiras e construtoras de um mundo melhor, mais terno e delicado possível. Eu em particular tenho a melhor amiga do mundo. E quero desejar o melhor dia das mulheres. Que Vc, possa se sentir cada vez mais amada, mais querida, inteligente,forte,meiga,sensível,encantadora e por todos mais valorizada. Que vc possa enfim ser a cada dia que passa uma mulher cada vez, mais MULHER. Pois você é a oitava maravilha. Feliz dia oito de março!
NÃO PORQUE SEJA DIA SANTO, NEM PORQUE PODERIA SER O NATAL
TAMPOUCO PORQUE ALGUEM ACABA DE NASCER.
MAS HOJE É UM DIA ESPECIAL. UM DIA ONDE TODOS SORRIEM
E OS PASSAROS CANTAM EM LOUVOR A UMA DIVA
HOJE É UM DIA ESPECIAL
UM DIA ÚNICO,QUE TODOS SE CUMPRIMENTAM
E O MUNDO CELEBRA SUA MAIS QUERIDA CRIAÇÃO
HOJE NAO É UM DIA DE REIS, MAS DE UMA SO RAINHA.VC .
Quero aproveitar esse momento feliz de nossa grandiosa amizade, parceria e, sobretudo o ganho que o Brasil e o mundo tem tido com essas trabalhadoras, mães, amigas, professoras, mecânicas, misses, companheiras e construtoras de um mundo melhor, mais terno e delicado possível. Eu em particular tenho a melhor amiga do mundo. E quero desejar o melhor dia das mulheres. Que Vc, possa se sentir cada vez mais amada, mais querida, inteligente,forte,meiga,sensível,encantadora e por todos mais valorizada. Que vc possa enfim ser a cada dia que passa uma mulher cada vez, mais MULHER. Pois você é a oitava maravilha. Feliz dia oito de março!
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Mesmo que seja tarde

*Paulo Jorge dos Santos
Li na internet que os parlamentares norte americanos pediram na noite de terça-feira, pela primeira vez em sua história, desculpas em nome do governo federal pela "fundamental injustiça, crueldade, brutalidade e desumanidade" da escravidão e segregação racial em relação aos negros americanos.
O texto, adotado pela Câmara de Representantes, "apresenta desculpas aos negros americanos em nome do povo dos Estados Unidos pelo mal que lhes foi infligido" sob as leis de segregação conhecidas como "Leis Jim Crow" e "por seus ancestrais que sofreram a escravidão".
Os parlamentares também indicaram que se comprometem em agir para corrigir "as conseqüências persistentes" da escravidão e segregação.
O democrata Steve Cohen, autor do texto, comemorou sua aprovação. "É um momento histórico na luta pelos direitos civis neste país e espero que esta norma possa servir para iniciar o diálogo sobre as questões raciais e a igualdade para todos", indicou em um comunicado.
"As desculpas não são gestos vãos e sim uma primeira etapa necessária para toda a reconciliação entre os povos", disse Cohen, representante do Tennessee.
A escravidão foi abolida oficialmente nos Estados Unidos em 1865. O ex-presidente Bill Clinton chegou a expressar que lamentava o papel dos Estados Unidos no tratamento dos escravos e o atual presidente George W. Bush classificou a escravidão como "um dos maiores crimes da história", mas até agora não havia sido registrado um arrependimento oficial.
As "Leis Jim Crow" foram formalmente abolidas em 1964 pela lei sobre os direitos civis, a chamada "Civil Rights Act", que proíbe qualquer forma de discriminação em lugares públicos.
Isso já é um grande começo, pois nós aqui do terceiro mundo costuma nos copiar as coisas vindas la do Tio Sam. Porque não copiar um gesto, tardio, mas politicamente interessante? Um dia o senador Cristovam Buarque fez um discurso memorável pela passagem do dia 13 de maio La no congresso federal, foi algo muito interessante digno de um parlamentar comprometido com a educação tal como é o senador.
Só que, depois disso nada tem sido feito pelos negros brasileiros alem das coisas que já acostumamos ver. Segregação e maus tratos
. li com muita alegria a noticia dos norte americanos, mas espero muito mais que um simples gesto dessa humanidade corrupta e despolitizada.
Não me leve a mal, isso é carnaval

Hoje, andando pela praça de Santa tereza,a noitinha, na cidade de mais Belo Horizonte, fui atraido pelo ensaio de um bloco caricato ,onde umas crianças tocavam, juntamente com adultos, em uma grande bateria caranavalesca. Ai pude ver que o Brasil respira carnaval. O Brasil é carnaval. Nós, os Brasileiros, temos a honra e o poder de sermos donos de uma das festas mais lindas do mundo. Mas, quem nasceu primeiro, o Brasil ou o sentimento carnavalesco de seu povo? Uma pergunta que, em verdade, não faz a menor diferença diante de grande e insofismável realidade.
Entre nossos valores mais caros, lá, enraizado entre a fé em Deus, o patriotismo exacerbado, o apego à família, a paixão pelo futebol arte, o gosto pela culinária nativa, está o espírito carnavalesco. Não adianta: se alguém lhe disser que não gosta de carnaval, não acredite totalmente. Alguma marchinha ele conhece. Ou sabe algum verso daquele samba-enredo que marcou uma geração. Ou cantarola “quanto-riso-ó-quanta-alegria-mais-de-mil-palhaços-no-salão-Arlecrim-está-chorando-pelo-amor-da Colombina-no-meio-da-multidão…Morena diga ondé que tu tava, ondé que tu tava ,ondé que tav tu...passei a noite proucurando tù”. Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Definitivamente. O samba nasceu na senzala, conquistou as quadras das escolas de samba, as avenidas, o Brasil e o mundo.
Não há quem não acompanhe, extasiado, o desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí ou não veja a alegria contagiante dos baianos indo atrás do trio elétrico, pois só não vai quem já morreu…
Não há uma única cidade neste Brasil continental e tão diverso, de tantos sotaques e de tanta pluralidade cultural, em que não haja uma manifestação carnavalesca, por menor que seja, uma apenas e tão somente, que simbolize a alegria do carnaval. Está na formação e no espírito da raça, está no calendário cultural e turístico, mas também está na alma.
Mas aind ahoje , de tarde tive que oparar o carropr aum grupo de estudantes de umaseascolainfantil acompnhado de suas peofessoras , desfilando pels ruas apertadas da pacata cidade mineira d econselheiro Lafaete.
Republicanos até a medula, reverenciamos com respeito e alegria o Império de Momo e caímos na folia durante os dias de descontração, alegria, música e dança. É, apenas e simplesmente, a maior festa popular do mundo. Vemos no ronca-ronca da cuíca, gente pobre e gente rica, deputado e senador, madame e cabrocha, o alegre mais alegre, o triste em estado irreconhecível, se rendendo ao instante mágico em que o Brasil festeja sua diversidade racial, seus sons e cores, suas crenças e afetos, em que festejamos a imensa dádiva de termos nascido na grande nação onde o carnaval não é festa pagã coisa nenhuma: é síntese do Brasil alegria.
Dos cordões ingênuos que animavam os carnavais do Rio de Janeiro, capital da Colônia lusitana, ao entrudo embalado pelas marchinhas irônicas ou aos modernosos abre-alas de Chiquinha Gonzaga, mulher avançada e compositora de enorme talento, o carnaval tem sido um apurado retrato da evolução de nosso País. Ele entrou o século XX com os corsos, desfiles de automóveis, onde as nascentes burguesias urbanas carioca e paulistana, motorizadas, percorriam as ruas arborizadas das duas maiores cidades de um Brasil ainda pasmacento e sem criminalidade, e entre marchinhas, lança-perfumes, serpentinas, confetes e máscaras, davam início as festividades.
Da década de 40 para cá, o carnaval tomou outra importância, tornando-se quase uma “commoditie” para a economia nacional. O carnaval “vende” a imagem do Brasil no exterior, atrai turistas e investimentos, capta divisas, movimenta a indústria do turismo (hotéis, restaurantes, locadoras, bares, agências de viagens, operadoras, empresas aéreas).
Numa simbiose fantástica, a alegria de nosso povo mais humilde, o talento de nossos compositores dos morros cariocas, a empolgação das escolas de samba, os milhões de decibéis dos trios elétricos, criadospor Dodô e Osmar e imortalizados pelo gênio de Gilberto Gil no “Expresso 2222”, os requebros e a graça de nossas lindas mulatas, as multidões arrastadas pela tradição do Galo da Madrugada nas ruas do Recife e nas seculares vielas de Olinda a gigantesca figura do Homem da Meia-noite, a dignidade dos Mestre-salas e a imponência majestosa das Porta-bandeiras, rainhas das avenidas e soberanas do desfile que eletrizam o mundo e explodem em luz, cor e som nas telas de TV, nos trazem alegria e movimentam uma bilionária indústria sem chaminés, não poluente, sustentável, do bem, absolutamente da paz, fundamental para nosso desenvolvimento econômico e para a preservação de nossa cultura.
Essa formidável indústria que gera alegria e empregos, descontração e divisas, trará quase 2 milhões de turistas estrangeiros ao Brasil no carnaval de 2010. No Rio de Janeiro, eles chegarão ao 700 mil e deixarão cerca de R$ 700 milhões. No carnaval da Bahia, passam de 500 mil e as cifras alcançam os R$ 700 milhões. Mesmo São Paulo, que num momento de rara infelicidade foi qualificado como o “túmulo do samba” e hoje tem um dos melhores carnavais do País com escolas de samba de altíssimo nível, 30 mil turistas gastarão R$ 50 milhões.
Na festa onde a igualdade e a fraternidade dão o tom com a mesma competência com que o lendário mestre André comandava a bateria da Unidos de Padre Miguel, relembremos os blocos de sujos, o Cordão da Bola Preta, a imorredoura criação de Jorge Amado na imagem de Vadinho, folião travestido morrendo num domingo de carnaval nos braços de sua amada dona Flor, as comissões de frente de outrora com Pixinguinha, Monarco, Cartola, Braguinha, um tempo que, infelizmente, não voltará jamais.
Deus os acompanhe nessa folia porque vou à Cambuquira escrever um romance nesse período festivo.
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