sábado, agosto 10, 2013

Dia da Consciência Negra . o que é ? A disputa pela memória histórica


Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 32 anos se comemora no dia 20 de novembro, o "Dia Nacional da Consciência Negra". Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: "os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse".

Construindo o "Dia da Consciência Negra"


O 20 de novembro trata da data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada de mais 30 mil. Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos. Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe. Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, ou seja bem depois do assassinato de Zumbi. Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares.

Há 32 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeria ao seu grupo que o 20 de novembro fosse comemorado como o "Dia Nacional da Consciência Negra", pois era mais significativo para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definia Silveira o "Dia da Abolição da Escravatura" em um de seus poemas. Em 1971 o 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez. A idéia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado.

A diversidade de formas de celebração do 20 de novembro permite ter uma dimensão de como essa data tem propiciado congregar os mais diferentes grupos sociais. "Os adeptos das diferentes religiões manifestam-se segundo a leitura de sua cultura, para dali tirar elementos de rejeição à situação em que se encontra grande parte da população afro-descendente. Os acadêmicos e os militantes celebram através dos instrumentos clássicos de divulgação de idéias: simpósios, palestras, congressos e encontros; ou ainda a partir de feiras de artesanatos, livros, ou outras modalidades de expressão cultural. Grande parte da população envolvida celebra com sambão, churrasco e muita cerveja", conta o historiador Andrelino Campos, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.



Capoeira- trabalho desenvolvido pela Associação
dos Moradores de Plataforma AMPLA. Créditos: Antonia dos Santos Garcia


Para a socióloga Antonia Garcia, doutoranda do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é importante que se conquiste o "Dia Nacional da Consciência Negra" "como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico".

Diferente do 20 de novembro o 13 de maio perdeu força em nossa sociedade devido a memória histórica vencedora: a que atribuiu a abolição à atitude exclusiva da princesa Isabel, aparentemente paternalista e generosa Isabel, analisa o historiador Flávio Gomes. Pesquisas recentes têm recuperado a atuação de escravos, libertos, intelectuais e jornalistas negros e mestiços para o 13 de maio, mostrando como este não se resumiu a um decreto, uma lei ou uma dádiva. Esses estudos também têm resgatado o significado da data para milhares de escravos e descendentes, que festejaram na ocasião.
São poucos os locais onde se mantêm comemorações no 13 de maio. No Vale do Paraíba, no estado de São Paulo, o 13 de maio é dia de festa. "Não porque a princesa foi uma santa ou porque os abolicionistas simpáticos foram fundamentais, mas porque a população negra reconhece que a Abolição veio em decorrência de muita luta", diz Gomes. Albertina Vasconcelos, professora do Departamento de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, também lembra que a data é celebrada em vários centros de umbanda na Bahia como o dia do preto-velho e que moradores antigos do Quilombo do Bananal, em Rio de Contas, Bahia, contam que seus pais e avós festejaram o 13 de maio de 1888 com muitos fogos e festas.

Na opinião de Vasconcelos "é importante comemorar, não para contrapor uma data a outra, os heróis brancos aos heróis negros, mas porque é necessário tomarmos consciência da história que está nessas datas, que traz elementos da nossa identidade". Para a pesquisadora, assim seria possível contribuir para desmistificar toda a construção ideológica produzida sobre o povo negro.

Nas escolas: muita proposta, pouca mudança
No início de seu mandato o presidente Lula aprovou a inclusão do Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar e tornou obrigatório o ensino de história da África nas escolas públicas e particulares do país. Embora a decisão tenha sido comemorada, alguns pesquisadores ressaltam que existem obstáculos a serem ultrapassados para que a proposta se transforme em realidade. "Em geral, a história dada segue o livro didático e ele é insuficiente para dar conta de uma forma mais ampla e crítica de toda a história", ressalta Vasconcelos. Essa avaliação da historiadora é confirmada pela professora de história Ivanir Maia, da rede estadual paulista. "A maioria dos professores se orienta pelo livro didático para trabalhar os conteúdos em sala de aula. Nos livros de história, por exemplo, o negro aparece basicamente em dois momentos: ao falar de abolição da escravatura e do apartheid".

Campos destaca que alguns livros didáticos de história têm sido mais generosos ao retratar a "história dos vencidos", mas ressalta que a maioria, inclusive os livros ligados a sua área - a geografia -, continua a veicular os fatos sociais de forma depreciativa, seja referente ao Brasil ou a África. "Encontramos com fartura os elementos de modo civilizatório ocidental como a única verdade que merece maiores considerações", exemplifica. Uma iniciativa importante que ocorreu nesse período foi o controle dos livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), visando evitar a distribuição de livros contendo erros conceituais e representações negativas sobre determinados indivíduos e grupos. Mas, na opinião de Garcia, seria necessário exigir uma maior revisão nessas obras: "os livros didáticos precisariam abordar a participação do povo negro na construção do país, na construção da riqueza nacional, na acumulação do capital e também as suas batalhas, rebeliões, quilombos e suas lutas mais contemporâneas".

Paula Cristina da Silva Barreto, professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, destaca que, além dos livros didáticos, outro foco importante são as propostas de mudança na formação dos professores. "Foi tímido o trabalho feito pelo MEC nessa direção até o momento", critica a pesquisadora. Na avaliação dela, sem professores bem preparados para abordar temas complexos, como os abordados nos PCNs, "é muito difícil obter sucesso com a alteração curricular e existe uma grande probabilidade de que as escolas não coloquem em prática o que foi proposto". Os baixos salários pagos e as condições de trabalho desanimadoras nas escolas são fatores também destacados pelos pesquisadores como possíveis responsáveis pelo pequeno envolvimento dos professores com propostas que visam abordar a diversidade étnica e problematizar a questão do negro no Brasil no interior das escolas.



Puxada de rede - AMPLA - Associação dos Moradores de Plataforma

Experiências educativas alternativas
Existem diversos programas educativos espalhados pelo país que são propostos e organizados por entidades ligadas aos movimentos negros brasileiros. Para Campos, a diferença fundamental entre essas propostas e o ensino escolar "é o comprometimento daqueles que montam os programas. Em geral são frutos de experiências de grupos ligados aos problemas dos afro-descendentes; buscam, sobretudo, a eliminação da desigualdade através de um instrumento poderoso: a consciência cada vez maior da coletividade". Como exemplos, o pesquisador cita o Projeto da Mangueira, voltado para os esportes, que já existe há muito tempo, além de experiências que têm levado meninos e meninas às escolas de sambas-mirins no Rio de Janeiro.

Barreto, que tem acompanhado de perto alguns projetos na área de educação implementados por organizações anti-racistas e/ou culturais de Salvador, destaca como exemplos bem sucedidos a Escola Criativa do Olodum, o projeto de extensão pedagógica do Ilê Aiyê e o Ceafro. "Essas experiências têm sido importantes por fomentarem o debate e gerarem demandas por mais qualidade do ensino público, por um currículo menos eurocêntrico e mais multicultural e multirracial, por melhores livros didáticos e por um ambiente racialmente mais democrático nas escolas", diz Barreto. O mais interessante é que esses projetos se transformaram em referência para as políticas adotadas por órgãos oficiais como o Ministério Educação (MEC) e as Secretarias de Educação. Combinando educação formal e não-formal esses projetos tratam, por exemplo, de conteúdos presentes no currículo oficial em espaços como os barracões dos terreiros de candomblé ou as quadras dos blocos afro; outros utilizam parte da produção cultural das organizações - letras de música, mitos africanos etc. - no currículo das escolas regulares. O ensino de História da África, na escola do Ilê Aiyê, já acontece há vários anos.

Para Barreto "é de fundamental importância o fato de que as crianças e jovens negros e mestiços são positivamente valorizados nesses projetos, elas são consideradas como portadores de direitos, o que tem um efeito direto sobre a auto-imagem e a construção da identidade pessoal e coletiva". Atualmente, a socióloga trabalha com projetos educativos voltados para a democratização do acesso e a permanência de estudantes negros e mestiços no ensino superior e coordena o programa A cor da Bahia, que há dez anos realiza pesquisas, publicações e atividades de formação na área de relações raciais, cultura e identidade negra na Bahia. Desde 2002, o programa desenvolve o projeto tutoria, que cria estratégias diversas para estimular, apoiar e promover a formação de estudantes negros que ingressaram na Universidade Federal da Bahia. Com o apoio do programa Políticas da cor fornecem bolsas de ajuda de custo aos alunos e orientação acadêmica, visando o ingresso destes no mercado de trabalho e em cursos de pós-graduação em condições mais competitivas. Na opinião de Barreto, ainda há muito para ser feito com no sentido de assegurar uma maior democratização - em termos raciais e econômicos - do sistema de ensino superior público.

"É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais", avalia Gomes.

quinta-feira, agosto 08, 2013

Coletor menstrual pode substituir absorventes

Conheça essa opção sustentável que vem se popularizando no Brasil.O coletor menstrual é uma tecnologia íntima bastante conhecida na Europa há mais de 80 anos, e que vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Trata-se de um copo de silicone medicinal hipoalérgico e antibacteriano, ajustável ao corpo, que coleta o sangue da menstruação sem deixar vazar.

Também conhecido como copo menstrual, o instrumento é confortável e se adapta facilmente ao corpo feminino, devido ao seu material flexível. Ao ser introduzido no canal vaginal, forma um vácuo, que impede a entrada de ar, evitando vazamento e mau odor - já que o sangue menstrual só produz cheiro quando entra em contato com o ar. Isso permite que as mulheres possam finalmente dar adeus aos absorventes ou a qualquer tipo de tampão íntimo durante o período menstrual, ficando livres de alergias e poupando o dinheiro gasto com absorventes.Coletor x absorventesO copo menstrual possibilita a livre movimentação e a prática de atividades físicas (inclusive natação) sem incômodos ou vazamento. Também vale lembrar que alguns absorventes externos fazem uso de componentes perfumados - para evitar o mau cheiro - que podem trazer irritação para o órgão genital. Ou seja, as mulheres que têm alergia aos componentes dos absorventes externos ou internos não correm o mesmo risco com este novo método, já que o coletor é feito somente de silicone medicinal.As mulheres que tendem a ter infecções vaginais com frequência não precisam se preocupar com o coletor. Este tipo de problema costuma se agravar com o uso dos absorventes internos, que absorvem o sangue, mas continuam mantendo-o em contato com a pele, aumentando o risco de infecções. Já os coletores, apesar de também serem internos, não absorvem o sangue, que passa a ficar em contato com o recipiente e não com a pele. Sendo assim, o risco de infecção é bem baixo, e seu uso recomendado por diversos ginecologistas.O coletor menstrual funciona como um copinho, que é inserido na vagina e recolhe o fluxo menstrual. Ele é feito normalmente de silicone medicinal e, por isso, é bem flexível. Seu formato parece um cálice, cuja haste fica próxima do final da vagina. O objetivo é facilitar a retirada do coletor com as mãos. Como a única utilidade da haste é essa. Algumas mulheres, com boa habilidade da musculatura vaginal, cortam a haste por completo e expelem o copinho com a força do músculo.Uma solução sustentávelO coletor menstrual não é descartável, podendo ser usado durante 4 a 10 anos, dependendo do cuidado dispensado ao produto. Ou seja, o copo é reutilizável durante todo período menstrual, só precisa ser lavado a cada doze horas , mesmo para quem tem o fluxo forte, e ainda pode ser usado no próximo ciclo. A higienização do coletor é feita de maneira bem simples, lavando apenas com água. No final do ciclo menstrual, o produto deve ser lavado com água fervente e, em seguida, guardado em local limpo.As mulheres de hoje em dia estão ficando cada vez mais preocupadas com a qualidade de vida e com a substituição do tóxico e do sintético pelo natural e saudável. Um dado interessante é que cada mulher utiliza em média uma tonelada de absorventes durante toda a sua vida, e cada um levará cerca de 100 anos para se degradar por completo na natureza. Já o coletor pode ser utilizado durante anos, resultando em uma interferência ambiental incomparavelmente menor.Uma pesquisa realizada pela Fine Marketing, encomendada pela marca brasileira líder no mercado de coletores menstruais, apontou que 83% das mulheres entrevistadas aprovaram o produto e aderiram ao hábito. O estudo foi feito com 146 mulheres, em julho de 2011, no Brasil. As entrevistadas não conheciam o coletor até então, e ainda utilizavam absorventes externos e internos.CuriosidadeHistoricamente o absorvente feminino passou por várias modificações. Dizem que na Grécia antiga as mulheres chegaram a usar um pedaço de madeira envolto por um paninho, que era introduzido na vagina. No início do século XX eram utilizadas toalhas e fraldas, e só depois surgiram os absorventes que conhecemos hoje, que por sua vez foram evoluindo para absorventes com abas, com aroma e revolucionando até o surgimento do coletor menstrual.Mas antes de iniciar o uso dos coletores, é importante consultar seu médico. A Drª. Cátia Chuba, médica ginecologista, nos alerta sobre as restrições do uso do coletor: "Em mulheres que nunca tiveram relação sexual, a inserção e a retirada do coletor pode eventualmente causar o rompimento do hímen. E, por esse motivo, o uso não é recomendado. Também não indico utilizar o produto no pós-parto, já que o corpo da mulher leva um tempo para se recuperar. Nessa fase, o colo do útero pode ainda não estar completamente fechado, podendo causar inflamação. A partir da primeira menstruação, depois da quarentena, o coletor já poderá ser utilizado. Tirando essas duas contraindicações, eu indico o uso do coletor menstrual. Afinal, o produto traz diversos benefícios, como todos que já foram citados. Além disso, também oferece conforto e praticidade, não altera o PH da flora vaginal, e possibilita uma melhor ventilação na região - diferente dos outros absorventes externos e internos. O coletor ainda é fácil de carregar e de higienizar", explica a especialista.

Imagem: Divulgação.

terça-feira, julho 30, 2013

“Medicina cubana ensina a atender o povo com qualidade e humanismo”, afirma militante

Por José Coutinho JúniorA saúde no Brasil tem sido tema de grandes debates nas últimas semanas, provocados tanto pelas manifestações das ruas, que exigem melhoras e mais investimentos na área, quanto pelas propostas recentes do governo em trazer médicos de outros países para trabalhar em regiões mais carentes.Essas propostas, assim como a obrigação dos estudantes de universidades públicas em cumprir dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido alvo de fortes críticas das associações de médicos, que afirmam que essas não seriam as soluções para os problemas.A Página do MST conversou com Augusto César e Andreia Campigotto, ambos militantes do Movimento e formados em medicina em Cuba, sobre o tema.Nascido em Chapecó e com 25 anos de vida, Augusto César ainda não exerce a profissão. Está estudando para fazer a prova de revalidação do diploma cubano e, assim, poder atuar no Brasil. Quando conseguir seu registro, pretende trabalhar na área rural, atendendo os Sem Terra e os assentados da Reforma Agrária.Andreia Campigotto tem 28 anos e nasceu em Nova Ronda Alta (RS). Trabalha em Cajazeiras, no sertão paraibano, como residente em medicina da família em uma unidade básica de saúde, que atende uma comunidade de 4 mil pessoas.FormatoO curso de medicina cubano dura seis anos. Para estudantes de outros países, ele se inicia na Escola Latinoamericana de Medicina, localizada em Havana. Depois de um período inicial de dois anos, os estudantes são enviados para as diversas universidades do país. Augusto e Andreia foram para a universidade da província de Camagüey.O curso de medicina cubano não se difere muito do brasileiro, do ponto de vista curricular.“Os dois primeiros anos trabalham com as ciências médicas. Estudamos fisiologia humana, anatomia humana e desde o primeiro ano temos contato com os postos de saúde. Quando somos distribuídos para as universidades, vivenciamos o sistema público de saúde. Comparado com o Brasil, o nível teórico é igual, mas o nível de prática é maior”, afirma Augusto.“Um estudo do governo federal mostra a compatibilidade curricular dos cursos de medicina de 90% entre Brasil e Cuba. Então, não há grandes diferenças teóricas”, conta Andreia.A diferença principal entre os dois cursos está na concepção de medicina e de saúde na formação dos médicos. “O curso brasileiro é voltado para as altas especialidades. Tem essa lógica de que você faz medicina, entra numa residência e se especializa. Já em Cuba o curso se volta à atenção primária de saúde, para entendermos a lógica de prevenção das doenças e o tratamento das enfermidades que as comunidades possam vir a ter”, diz Augusto.Em contrapartida, “saúde” e “medicina” no Brasil são sinônimos de pedidos de exames e tratamento com diversos medicamentos, calcados em sua maioria na alta tecnologia. Com isso, a medicina preventiva fica em segundo plano, alimentando uma indústria baseada na exigência destes“No Brasil, temos uma limitação na formação do profissional, pois ela é voltada ao modelo hospitalacêntrico, que pensa só na doença e no tratamento. Em Cuba isso já foi superado. Lá eles formam profissionais para tratar e cuidar com qualidade, humanismo e amor cada paciente; aprendemos de verdade a lidar com a saúde do ser humano”, analisa Andreia.Ela destaca que os médicos formados na ilha são capazes de atender a população sem utilizar somente a alta tecnologia, condição que não necessariamente limita um atendimento com qualidade à população que mais carece.“É mais barato fazer promoção e prevenção de saúde. No entanto, isso rompe com a ditadura do dinheiro. Com isso, os médicos aguardam o paciente ficar doente para pedir um monte de exames e dar um monte de medicamentos”, afirma AugustoDe acordo com ele, essa estrutura fortalece o complexo médico-industrial, que se favorece sempre que há alguém internado ou que precise tomar algum medicamento.“Não negamos a necessidade de medicamentos e equipamentos, porque precisamos dar atenção a esse tipo de paciente. Mas não precisamos esperar que todas as pessoas fiquem doentes para começar a trabalhar a questão da saúde”, acredita Augusto.Nesta série de reportagens, os dois relatam as diferenças entre os cursos e a concepção de medicina em Cuba e no Brasil, opinam sobre os problemas brasileiros em relação à saúde e defendem uma medicina que sirva para atender com qualidade o povo brasileiro. Na quarta-feira (29/07), Andreia e Augusto contam como é a prova de revalidação dos diplomas estrangeiros, e analisam a elitização da medicina nas universidades brasileiras.Fonte: MST

"Cuban Medicine teaches the people to meet quality and humanism," says activist

"Cuban Medicine teaches the people to meet quality and humanism," says activist
By José Coutinho Junior

Health in Brazil has been the subject of much debate in recent weeks, both caused by the demonstrations in the streets, demanding more improvements and investments in the area, as the recent government proposals to bring doctors from other countries to work in the poorest regions.

These proposals, as well as the obligation of students in public universities serve two years in the Unified Health System (SUS), has been the target of strong criticism of the associations of doctors, who do not claim that these are the solutions to the problems.

The Main MST talked to Augustus Caesar and Andreia Campigotto, two militants of the Movement and trained in medicine in Cuba, on the subject.

Born in Chapecó and 25 years of life, Augustus Caesar has not practicing profession. Is studying to take the test for revalidation of Cuban law and thus be able to act in Brazil. When you get your record, you want to work in rural areas, given the landless settlers and Agrarian Reform.

Andreia Campigotto is 28 years old and was born in Nova Ronda Alta (RS). Cajazeiras works in the interior of Paraiba, a resident in family medicine in a primary care unit, which serves a community of 4000 people.

Format

The Cuban medical school lasts six years. For students from other countries, it starts at the Latin American School of Medicine, located in Havana. After an initial period of two years, students are sent to various universities in the country. Andreia Augusto and went to university in the province of Camagüey.

The Cuban medical school does not differ much from the Brazilian point of view curriculum.

"The first two years working with the medical sciences. Studied human physiology, human anatomy, and since the first year we have contact with the health posts. When we distributed to universities, experience the public health system. Compared to Brazil, the theoretical level is equal, but the practice level is higher, "said Augustus.

"A federal government study shows the compatibility of curricula medicine 90% between Brazil and Cuba. So, no major theoretical differences, "says Andrea.

The main difference between the two courses is the conception of medicine and health in the training of doctors. "The course is geared towards the Brazilian high specialties. This logic is that you do medicine, enters a residence and specializes. Already in the course Cuba is back to primary health care, to understand the logic of disease prevention and treatment of diseases that communities might have, "says Augusto.

In contrast, "health" and "medicine" in Brazil are synonymous with requests for examinations and treatment with various drugs, footwear mostly in high-tech. Thus, preventive medicine is in the background, feeding an industry based on the requirement of these
"In Brazil, we have a limitation on professional training, as it is geared to the model hospitalacêntrico, thinking only disease and treatment. In Cuba it has been overcome. There they form professionals to treat and care quality, humanism and love each patient; actually learned to deal with human health, "says Andrea.
She points out that doctors trained in the island are able to meet the population without using only high-tech, a condition that does not necessarily limits a quality service to the population that most needs.
"It's cheaper to health promotion and prevention. However, it breaks with the dictatorship of money. With this, doctors await the patient sick to ask a lot of exams and take a lot of medications, "says Augusto
According to him, this structure strengthens the medical-industrial complex, which favors whenever someone is hospitalized or need some medication.
"We do not deny the need of medicines and equipment because we need to pay attention to this type of patient. But we need not wait for all the people sick to begin work on the issue of health, "says Augusto.
In this series of reports, the two reported differences between courses and the conception of medicine in Cuba and Brazil, Brazilians think of the problems in relation to health and advocate a medicine that serves to provide quality Brazilian people. On Wednesday (29/07), and Andreia Augusto count as evidence for revalidation of foreign diplomas, and analyze the gentrification of medicine in universities.
Source: MST

domingo, julho 21, 2013

Blog do Professor Paulo: Manifestantes ficam nus em protesto na Câmara de P...

Blog do Professor Paulo: Manifestantes ficam nus em protesto na Câmara de P...: DE PORTO ALEGRE Antes de desocuparem a Câmara de Porto Alegre nesta quinta-feira (18), onde permaneciam acampados havia oito dias, m...

Blog do Professor Paulo: LADRÃO TENTA ROUBAR LOJA DE UMBANDA, SE ASSUSTA CO...

Blog do Professor Paulo: LADRÃO TENTA ROUBAR LOJA DE UMBANDA, SE ASSUSTA CO...: Um milagre dos orixás “Preto Velho” salvou a loja. Um “Preto Velho”, entidade de algumas vertentes dos cultos afro-br...

Blog do Professor Paulo: PRESIDENTE DO SUPREMO DESCUMPRE A LEI PARA SE ASS...

Blog do Professor Paulo: PRESIDENTE DO SUPREMO DESCUMPRE A LEI PARA SE ASS...: 21 DE JULHO DE 2013 ÀS 11:33 FONTE>  http://www.brasil247.com Ao constituir uma empresa com fins lucrativos nos Estados Unidos, em...

Blog do Professor Paulo: Las 300 personas más ricas del planeta atesoran má...

Blog do Professor Paulo: Las 300 personas más ricas del planeta atesoran má...: Las 300 personas más ricas del planeta atesoran más que 3.000 millones de pobres Corbis Las 300 mayores fortunas del mundo...

Após morte de MC, funkeiros querem colete à prova de bala

Cordão de ouro, óculos, roupas e relógios de grife compõem o estilo dos funkeiros estilo ostentação, fenômeno musical dominante tanto nas periferias como nas casas noturnas de classe média. A indumentária dos MC's deve ganhar um novo adereço: colete à prova de balas.

Apologia ao crime dá lugar ao luxo nas novas músicas de funk

A imagem do MC Daleste caindo após levar um tiro quando cantava para cerca de 250 pessoas num conjunto habitacional de Campinas (93 km de SP), no último dia 6, não só chocou como levou pânico ao mundo do funk.

Assim como Daleste, os cantores do tipo ostentação gravam clipes em que aparecem cercados de mulheres, em carros de luxo e taças de champanhe nas mãos. Já tiveram mais de 60 milhões de acessos no site YouTube.

Após o assassinato, eles passaram a exigir de quem os contrata seguranças no palco e nas imediações, além de rotas de entrada e saída das apresentações. Também recusam espetáculos em locais onde a violência impera.

Mais: querem uma autorização do poder público para a compra de coletes à prova de balas. Um aparato do tipo teria salvo a vida de Daleste.

Danilo Verpa/Folhapress
Os MCs Bio G3 e Bó, considerados precursores do estilo funk ostentação
Os MCs Bio G3 e Bó, considerados precursores do estilo funk ostentação

A medida não é novidade no mundo da música. Ícone do rap americano, 50 Cent, passou a usar a proteção após levar nove tiros, no ano 2000.

"Estamos diante do inimigo invisível. Não sabemos quem está atentando contra os MCs. Estamos com medo, sim", disse à Folha Cleber Alves, 29,o MC Bio G3, conhecido como o inventor do estilo ostentação, cujas letras falam dos sonhos de consumo das comunidades carentes.

Além de cantar --compôs o "Bonde da Juju", obrigatória na set list dos pancadões-ele criou uma produtora que gerencia a carreira de MCs, entre eles, Daleste.

Nos últimos dias, tem ouvido apelos preocupados de seus parceiros, alguns cogitando segurança armada.

Bio G3 trocou a vida numa casa simples de Cidade Tiradentes (extremo leste), reduto do funk em São Paulo, por um condomínio, na mesma zona leste, com carro importado na garagem. Os shows que produz acontecem porém, em sua maioria, na periferia das cidades.

A violência deve diminuir a frequência de shows em comunidades pobres, onde há crimes. As agendas estão sendo revistas. "A maioria dos funkeiros vem de bairros carentes e se sente parte deles. É gratificante tocar onde a criança não pode pagar. Mas não dá para pensar só dessa forma", disse.

Editoria de Arte/Folhapress
Clique para ler
Clique para ler

Segundo ele, antes de aceitar um convite para tocar, será exigido um mapa do local para visita prévia, ambulância e seguranças no palco. "Sem essas garantias, não vamos mais tocar".

Ele e outros músicos tentam agendar uma audiência com o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, para discutir medidas de proteção e autorização para a compra de coletes, que são de uso controlado pelo Exército.

A morte de Daleste é o sétimo episódio recente envolvendo MCs no Estado.

Na Baixada Santista, cinco funkeiros foram mortos e um sexto sobreviveu a vários tiros (veja quadro), nos últimos três anos. PMs chegaram a ser investigados em um dos assassinatos, mas nenhum caso foi solucionado ainda.

Na capital, Jokrey Alves de Figueiredo, 28, o MC Brow, foi morto a tiros na zona norte, no ano passado. Mais um crime a ser desvendado.

Com correntes douradas e anéis no melhor estilo ostentação, Rolland Ribeiro, pai de Daleste, disse que não vê outro motivo para o assassinato: "A inveja mata".
GIBA BERGAMIM JR.DE SÃO PAULO

Las 300 personas más ricas del planeta atesoran más que 3.000 millones de pobres

Las 300 personas más ricas del planeta atesoran más que 3.000 millones de pobres

Las 300 mayores fortunas del mundo acumulan más riqueza que los 3.000 millones de pobres.
Así lo afirma el profesor Jason Hickel de la Escuela de Economía de Londres, asesor del movimiento The Rules, que lucha contra la desigualdad, y autor de un video titulado 'La Desigualdad de la Riqueza Mundial'.

"Citamos estas cifras porque nos ofrece una comparativa clara e impresionante, pero en realidad la situación es aún peor: las 200 personas más ricas tienen aproximadamente 2,7 trillones de dólares, y eso es mucho más que lo que tienen 3.500 millones de personas, que tienen un total de 2,2 trillones de dólares", explica el economista. 

Jason Hickel destaca que su movimiento quiere hacer algo más que ilustrar "el brutal índice de la desigualdad" y demostrar que la situación empeora día a día. Citando un
estudio reciente de la ONG Oxfam, el economista recalca que el 1% de los más ricos aumentó sus ingresos en un 60% en los últimos 20 años, con la crisis financiera acelerando este proceso en vez de frenarlo. 

En el video 'La Desigualdad de la Riqueza Mundial', el movimiento 'The Rules' expone cómo crece esta desigualdad con el paso del tiempo en diferentes países. Así, durante el período colonial, la brecha entre los países ricos y los pobres aumentó de 3:1 a 35:1. Desde entonces, la brecha ha crecido hasta un nivel de 80:1.

De acuerdo al economista, el crecimiento de la brecha se debe en parte a las políticas económicas neoliberales que instituciones internacionales como el Banco Mundial, el Fondo Monetario Internacional (FMI) y la Organización Mundial del Comercio (OMC) han impuesto a los países en desarrollo durante las últimas décadas. 

"Estas políticas están diseñadas para liberalizar los mercados a la fuerza, abriéndolos a fin de dar a las multinacionales un acceso sin precedentes a tierra barata, recursos y mano de obra. Pero a un precio muy alto: que los países pobres pierdan alrededor de 500.000 millones de dólares por año de su PIB", explica el profesor citando al economista Robert Pollin, de la Universidad de Massachusetts.

Según Jason Hickel, se trata de un obvio flujo neto de riqueza desde los lugares pobres a las zonas ricas. "Los gobiernos de los países ricos celebran constantemente cuánto gastan en ayudas para los países en desarrollo y las empresas multinacionales comprueban esto mediante los informes anuales, pero ninguno confiesa lo mucho que sacan de los países en desarrollo", concluye el economista.


Texto completo en: http://actualidad.rt.com/economia/view/100621-personas-ricas-desigualdad-pobres-crisis